Itaipu: Orgulho ou Vergonha Nacional?

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Itaipu: Orgulho ou Vergonha Nacional?

Mensagem por Alquimista em 14/2/2017, 15:44

Alguém sabe explicar o motivo da RAZÃO DE SER do Elo CC de Itaipu?

Necessidade, ou não teria a ver com uma baita vergonha nacional?

Pesquisando por aí, encontrei um fórum que reúne SUPOSTOS físicos e engenheiros (Fórum do Clube Cético) e pensei que lá haveria informações relevantes, quando topei com a seguinte exposição de um ''professor'' que pretendia arrogar uma explicação viável para existência do Elo CC:

http://clubecetico.org/forum/index.php?topic=13837.msg649281#msg649281

http://clubecetico.org/forum/index.php?topic=13837.msg649303#msg649303

SnowRaptor escreveu:O problema é que os 700 e poucos quilômetros de Itaipu até Bauru são muito próximos de um (sub)múltiplo do comprimento de onda de 60Hz nos fios de cobre, então daria um problema sériod e ressonância, ia precisar de um monte de indutores pra alterar o comprimento efeitvo da linha. Vale mais a pena você elevar a tensão a milhões de volts e forçar a barra.
O problema do DC é que para transportar por longas distâncias você precisa de tensões muito altas e isso seria perigoso na última milha (entre a subestação e o consumidor final) e seriam necessárias várias estações "repetidoras" para prevenir as quedas te tensão se você quisesse só trabalhar com tensões baixas.
No caso de Itaipu, eles podem elevar a tensão até 15MV (ou 50MV, não lembro direito) e colocar para passar por torres gigantes, longe do alcance das pessoas e boa. Usar AC seria problemático por causa da ressonância. Eu pergintei exatamente isso pro cara quando visitei lá.

Entretanto, também verificando que o mesmo ''professor'' cometera deslizes em outros tópicos por lá, penso poder estar equivocada a explicação dele.

Sendo assim, gostaria de saber: esse ''professor'' disse algo com algo que corresponda à realidade? Por que, realmente, o Elo CC de Itaipu?


Última edição por Alquimista em 23/5/2017, 02:30, editado 2 vez(es)
avatar
Alquimista
Admin

Mensagens : 722
Data de inscrição : 14/02/2017

Ver perfil do usuário http://mestredoconhecimento.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Itaipu: Orgulho ou Vergonha Nacional?

Mensagem por Alquimista em 20/2/2017, 18:24

Ok! Vamos analisar quatro excelentes textos que elucidam muito bem a questão:

O Elo de Corrente Contínua tornou-se necessário porque a energia produzida no setor de 50 Hz de Itaipu não podia se integrar diretamente ao sistema brasileiro, onde a frequência é 60 Hz. A energia produzida em 50 Hz em corrente alternada é convertida para corrente contínua em Foz do Iguaçu (PR) e, então, é escoada até Ibiúna (SP), onde é, mais uma vez, convertida para corrente alternada, só que em 60 Hz.
As linhas deste elo têm, aproximadamente, 810 km de extensão. A conversão CA/CC é feita através de oito conversores em cada subestação, cada dois formando um polo, dois bipolos em ±600 kV. Esse sistema começou a operar em 1984.
As linhas em Corrente Alternada transmitem em 750 kV a energia produzida pelo setor de 60 Hz de Itaipu (frequência brasileira) para o centro de consumo da região Sudeste do Brasil. Essas linhas estão localizadas entre as subestações de Foz do Iguaçu e Tijuco Preto (SP), na região metropolitana de São Paulo, cada uma com extensão de cerca de 900 km.
Em Tijuco Preto existem sete transformadores, para 500 kV e 345 kV, de forma a permitir o adequado escoamento da energia. Ao longo do sistema existem ainda duas outras subestações, a de Ivaiporã (PR) e a de Itaberá (SP).
Em Ivaiporã há conexão com a região Sul do Brasil através de transformadores para 500 kV, o que permite que a energia gerada por Itaipu também atenda essa região do país.
As linhas e subestações implantadas por Furnas compõem um dos maiores e mais complexos sistemas de transmissão do mundo.

http://www.furnas.com.br/detalhesNoticiaExterna.aspx?Tp=N&idN=3630

Itaipu: antes do Paraguai, Brasil já discutiu com a Argentina

Desde antes de sua construção, a usina hidrelétrica de Itaipu gerou discussões do Brasil com seus vizinhos. Se 2009 tem sido marcado pela negociação com o Paraguai em torno do valor da energia paga pelo Brasil ao parceiro, os pontos de vista opostos datam da década de 1960, quando o regime militar começava a tirar do papel a então maior hidrelétrica do mundo.
O Brasil começou a discutir a construção de uma hidrelétrica no lado brasileiro do rio Paraná na segunda metade da década de 1960. Segundo a professora Ivone Teresinha Carletto Lima, autora da tese  Itaipu: as faces de um megaprojeto de desenvolvimento  , de 2006, a idéia era desviar parte das águas do rio, para levá-las até Porto Mendes, no município de Marechal Cândido Rondon, no Paraná. A hidrelétrica seria totalmente brasileira. De acordo com a professora, ela foi projetada para ter o mesmo potencial de Itaipu e poderia produzir mais, mas o Paraguai entrou na questão e alegou que a área que estava acima das sete quedas não era brasileira, mas paraguaia.
Isso gerou uma grande disputa, pois nenhum dos países cedia. O Paraguai queria que Brasil considerasse a área das sete quedas como de litígio, ou seja, disputada entre os dois países. Mas o Brasil não admitiu essa possibilidade e considerou a área de propriedade da Nação. Por fim, para acabar com as discórdias, os dois países, que tinham regime militar na época, assinaram em 1966 a Ata do Iguaçu, em que o Brasil concordou que se fosse construída uma hidrelétrica no rio Paraná e que fosse feita em condomínio com o Paraguai.
Em 1973, foi feito o Tratado de Itaipu. A construção começou no início de 1975 e até 1985 estava praticamente pronta. Em 1982 (entre outubro e novembro) foi feito o alagamento. Abriram as comportas para alagar e represar o curso do Paraná e poder construir as turbinas no leito do rio. Também foi feito um canal de desvio. Em 1989, a hidrelétrica começou a produzir energia.

Argentina  
Na época, a Argentina não aceitava a obra de Itaipu, porque queria construir uma usina com o Paraguai, também no rio Paraná. Mas até hoje não executou a almejada Usina de Corpus. Segundo a professora Ivone, após começar a construção de Itaipu, os argentinos questionaram os níveis da barragem e do rio Paraná, que, segundo eles, prejudicaria a construção de Corpus.

Buenos Aires alagada  
O professor de Direito Christian Caubet, da Universidade de Brasília (UnB) e autor da tese  A barragem de Itaipu e o Direito Internacional Fluvial  , lembra que a Argentina argumentava que teria um prejuízo imenso com a construção de Itaipu. Ele recorda de uma conversa que teve com um general argentino, um dos arautos da geopolítica, que disse que, se Itaipu cedesse, os 40 km³ de água iriam descer até Buenos Aires e apagariam tudo do mapa.
"Ele me disse: ''O Brasil nem precisa de guerra porque vão afogar a gente''. Eu falei a ele: ''no dia seguinte, antes de explodir a barragem, o Brasil perderia a guerra, pois o País estaria completamente paralisado, porque teria perdido toda a energia. Como faríamos para girar as fábricas? Sem luz, a Argentina vai ganhar a guerra, porque o Brasil não poderia nem fabricar armas", diz.

A obra  
João Raicyk, que trabalhou na construção de Itaipu de 1979 a 1983 como auxiliar de laboratório no setor de geologia, e hoje é funcionário da Copel, e mora em Medianeira (PR), 48 km de Foz do Iguaçu (PR), participou ativamente do início da obra. Viu quando foi feito o canal de desvio do rio Paraná e quando começou a construção da barragem. Ele participou da perfuração e análise das rochas. Segundo Raicyk, 42 mil pessoas chegaram a trabalhar na obra no período mais intenso da construção. "A obra não parou, ela durava 24 horas. Nós trabalhávamos 12 horas e descansávamos outras 12."
Segundo ele, durante os quatro anos que ficou na obra de Itaipu, viu dois acidentes fatais - em um dos casos o operário caiu de cerca de 40 m de altura e a tela de proteção furou. O outro acidente ocorreu na parte de concretagem, quando foi descarregado acidentalmente concreto sobre uma pessoa.
Raicyk diz que foi um "orgulho" atuar na obra. "Primeiro, porque foi um dos primeiros trabalhos de carteira assinada. E um dos que fiquei mais tempo. É um orgulho muito grande eu ter dado a minha contribuição. E também ganhei alguns frutos - meu filho nasceu na obra", diz o auxiliar de laboratório no setor de geologia. Recém casado na época, a mulher de Raicyk era professora de uma escola dentro da área de moradia dos funcionários. "A estrutura era muito boa", afirma ele.
Os funcionários falavam duas línguas na obra - espanhol e português. Raicyk diz que não havia problema de comunicação entre os funcionários dos dois países.
"Houve uma comunicação muito boa. Na área de fronteira, o ''portunhol'' funcionava bem. Também havia uma amizade muito grande entre brasileiros e paraguaios. A única diferença é que eles ganhavam baseados no dólar e a gente não. Na época, o dólar chegou a 16 por 1 (US$ 1 custava 16 Cruzeiros). Tinha vezes que o salário deles dava quase 10 vezes o nosso. Isso era uma diferenciação muito grande", afirma.
Apesar dessa diferença, Raicyk diz que todos ganhavam muito bem. "Não tinha nada de negócio em banco. O pagamento era em dinheiro vivo. A inflação comeu bastante. Na cidade de Foz (do Iguaçu) começou uma exploração muito grande. De um mês para o outro quase dobrava os preços de comida e de aluguel." O consórcio responsável pela obra oferecia moradia, mas não havia suficiente para todos os trabalhadores. Raicyk era um dos que precisava pagar aluguel.

Preço da energia  
Desde agosto, quando chegou ao poder, o presidente paraguaio Fernando Lugo reivindica uma revisão do Tratado de Itaipu, que regula as operações da represa construída com capital brasileiro. Segundo Lugo, o tratado contém cláusulas que prejudicam os interesses do Paraguai e que devem ser modificadas.
O preço do Kilowatt de energia foi acertado no tratado. Na época, o Paraguai não tinha como participar da obra, cabendo ao Brasil toda a construção. Para o Paraguai entrar com a metade do capital, o dinheiro foi emprestado pelo Banco do Brasil. No tratado, ficou estabelecido que o vizinho pagaria a dívida ao Brasil em 50 anos, até 2023. O tratado previa que quem não usasse 50% da energia venderia para o outro país, preferencialmente, a um preço fixo.
Segundo Ivone, o Brasil utiliza toda a parte brasileira e mais 45% da energia paraguaia. "O Paraguai só usa 5% da energia, porque ele não precisa de mais. Tem outras hidrelétricas menores para se manter no país. O objetivo do Brasil, na época da construção, era fornecer energia para o principal parque industrial brasileiro, que era a região Sudeste."
https://economia.terra.com.br/itaipu-antes-do-paraguai-brasil-ja-discutiu-com-a-argentina,a98117a7adc4b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

Diplomacia e diplomatas  

Até o momento, nada do que foi dito pelo governo brasileiro através seus inúmeros porta vozes esclareceu a posição do Brasil em relação ao Paraguai com relação à mudança de governo ali ocorrida.
Desde a guerra da Tríplice Aliança e depois que o Paraguai preferiu construir em parceria com o Brasil a Usina Hidrelétrica de Itaipu, postergando a hipótese de construir com a Argentina a usina de Yaciretá Apipê e até mesmo participar da usina de Corpus, nosso governo não toma uma atitude tão equivocada como essa.
Nossas relações com o Paraguai, com a parceria para construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, foram reconstruídas desde as negociações do tratado que permitiu a execução do gigantesco projeto através um processo de competência diplomática, determinação dos nossos governantes e dedicação dos nossos negociadores.
Pouco ou quase nada se escreveu até agora sobre Itaipu. Muito se fala sobre a monumental usina geradora de energia elétrica. Mas sobre o ente binacional constituído para tornar viável jurídica e fisicamente a usina há um incompreensível silêncio oficial e da própria imprensa.
O tratado celebrado entre Brasil e Paraguai que regulou e regula, com todas as alterações já inseridas, os procedimentos legais observados pelos dois países em relação à obra e à empresa constituída para gerir e operar a usina, discutido durante anos, constitui um dos mais importantes documentos já negociados pela diplomacia brasileira.
Mario Gibson Barbosa, Expedito Rezende, João Hermes Araujo são nomes da diplomacia brasileira presentes na história da construção dessa estrutura pioneira no Brasil, a empresa binacional, destinada a conduzir a gigantesca obra da usina hidrelétrica de Itaipu.
Naquele tempo, se discutia os interesses do Brasil. Ante o Paraguai, parceiro na obra, e ante a Argentina, que tudo fez para evitar que a obra se viabilizasse, a diplomacia brasileira empregou toda a sua inteligência e competência nas negociações do tratado, documento fundamental para tornar possível a conciliação dos interesses dos dois países.
Naquele tempo a diplomacia brasileira não estava atrelada a um processo de governo voltado para a defesa de ideologias sem compromisso com o país. Não havia esse simulacro de união regional chamado de Mercosul, associação esdrúxula em que Argentina e Venezuela se juntaram para estimular outros integrantes a explorarem o Brasil.
A fragilidade dos princípios patrióticos presentes nos métodos de governar da safra de políticos que ascendeu com Lula só não é maior que a irresponsabilidade com que governam. O populismo impregnado em suas ações, a desastrosa confrontação das regras legais com o cinismo da oferta de soluções para problemas sociais imediatos e a facilidade com que se carreia caminhões de dinheiro público para os bolsos de ladrões, impunemente, autorizam os vizinhos a quererem participar do butim.
No caminho das obras de Itaipu avançavam as discussões sobre os aspectos relacionados à utilização da energia gerada e todas a atenções se voltaram para o fato de que a frequência da corrente elétrica era diferente no Brasil e no Paraguai.
O problema era sério e a hora de soluciona-lo havia chegado. O governo paraguaio, na época Alfredo Stroessner era o presidente, na mesa de negociações, tentou obter do governo brasileiro, Ernesto Geisel era o presidente, um empréstimo de muitos, mas muitos milhões de dólares, para modificar a ciclagem no Paraguai, algo absolutamente impensável.
Geisel foi duro, negou-se a admitir a hipótese e, após estudar as alternativas que lhe foram submetidas por Costa Cavalcanti, diretor geral da empresa binacional, decidiu que a energia para o Paraguai seria entregue pela usina na frequência do país vizinho, solução tecnicamente viável.
Como a frequência no Paraguai era de 50hz e no Brasil, de 60hz, e pelo tratado cada um dos parceiros tinha direito a metade da energia gerada, assegurada ao Brasil a aquisição preferencial da energia que não fosse utilizada pelo Paraguai, a decisão do governo brasileiro foi no sentido de que a Itaipu binacional gerasse em 50hz com metade dos seu geradores e em 60hz a outra metade.
Assim, em vez de transferir para o Paraguai algo em torno de US$ 400 milhões, o governo brasileiro, através da Eletrobras e de Furnas, investiu na construção do chamado linhão de 500kv, em corrente contínua, entre Foz do Iguaçu (Paraná) e Ibiuna (São Paulo), garantindo empregos, impostos, fornecedores, indústria e comercio nacionais.
Como naquele tempo homens responsáveis pela gestão de recursos públicos, no Brasil, se davam o respeito, a solução dada pelo governo brasileiro afinal foi aceita pelo governo paraguaio sem que tivesse sido necessário enviar a Assunção o chanceler brasileiro para convencer Alfredo Stroessner ou o Congresso paraguaio.
Brasileiros e paraguaios sentaram-se à mesa de negociações durante meses, muitos meses, até que se conhecessem o bastante para confiar uns nos outros, quando foi constituída a Itaipu binacional, e passaram a se reunir regularmente seus diretores, assessores e demais integrantes da grande estrutura que foi montada.
Era curioso ver brasileiros falando portunhol e paraguaios sem nada entender tentando se fazer entender falando espanhês, guarani e uma terceira língua usada por ambas as partes que misturava português, espanholguaio auxiliado por sinais, tudo meio índio.
Em algum tempo, entre diretores e assessores os entendimentos começaram a fluir, e os trabalhos foram se tornando mais fáceis. Em alguns momentos a convergência de idéias se tornava quase impossível. Nesses momentos, se havia impasse, o assunto era submetido aos representantes dos ministérios das Relações Exteriores de ambos os países, que o examinavam à luz dos interesses nacionais de ambos os lados. No entanto, sempre foi encontrada solução para as dúvidas suscitadas.
A verdade é que os integrantes da diretoria e do conselho de administração, tanto os brasileiros como os paraguaios, eram homens determinados a fazerem o projeto avançar, tornar-se realidade. José Costa Cavalcanti, diretor geral, pelo Brasil, e Enzo Debernardi, diretor geral adjunto, pelo Paraguai, se respeitavam e logo passaram a confiar um no outro. Daí em diante tudo passou a avançar com menos dificuldade.
Cavalcanti e Debernardi foram as mais acertadas escolhas dos respectivos governos para capitanear a execução da monumental obra. Ambos preparados, obstinados, respeitados, experientes, homens de larga folha de serviços prestados aos respectivos países.
O sucesso de Itaipu repousa na inteligência dos que a construíram e no respeito recíproco observado por brasileiros e paraguaios às características de cada um, às regras legais de cada Estado e aos negócios internos de cada governo. Aí está o resultado desse sucesso iluminando a sua casa, assegurando o desenvolvimento do seu país.

Coriolando Beraldo foi consultor jurídico e primeiro secretário do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva da Itaipu Binacional.
http://brasilsoberanoelivre.blogspot.com.br/2012/09/diplomacia-e-diplomatas.html#!/2012/09/diplomacia-e-diplomatas.html

As relações Brasil e Paraguai: destinos unidos por Itaipu.

Desde o início do seu governo, Stroessner priorizou uma aproximação entre Assunção e Brasília para contrabalançar a influência argentina no território paraguaio, oriundas da dependência do Paraguai, devido as questões geográficas, do porto de Buenos Aires para as comunicações externas.
... O governo de Stroessner punha grande importância na nova relação por motivos econômicos e políticos. A razão econômica era que aquela aproximação representava um novo caminho para exportar e importar produtos sem a imperiosa necessidade de ir através do porto de Buenos Aires. A razão política era que Buenos Aires era a base e o quartel general da oposição ao seu governo...(MENEZES, 1987, p. 54).
Stroessner buscou atrair a atenção brasileira para o potencial hidráulico do Paraguai e enredá-lo, assim, na política e na economia paraguaia (BOETTNER, 2004). O Brasil, por sua vez, vislumbrava transformar o Paraguai em um aliado político e um importante mercado para o comércio e os investimentos brasileiros na região (MENEZES, 1987, p. 54).
Os laços se estreitaram ainda mais em 1957, quando as autoridades dos dois Estados assinaram acordos importantes, a construção e a pavimentação de estradas entre a fronteira brasileira e importantes cidades paraguaias como Concepción, a construção da usina de Acaray, a construção da ponte da Amizade, a qual ligaria a cidade de Foz Iguaçu com Puerto Stroessner; abertura de uma Missão cultural e a construção do Colégio Experimental Paraguai-Brasil, entre outros convênios (SILVA, 2006, p. 67). No entanto, o litígio territorial por Sete Quedas quase pôs tudo a perder. "Tudo parecia perfeito entre Brasil e Paraguai desde a administração de Juscelino Kubitschek. Mas a polêmica sobre Sete Quedas quase partiu ao meio aquela nova relação" (MENEZES, 1987, p.64).
O litígio territorial sobre Sete Quedas, ou Salto de Guairá, se iniciou com a divulgação do projeto de construção de uma imensa usina na região em 1962. O Paraguai, por meio de uma "re-interpretação" do Tratado de 1872, afirmou que a área da futura barragem era território paraguaio. No entanto, o Brasil re-interou que as cataratas encontravam-se em território brasileiro. Ambas as partes elevaram o tom das discussões nas diversas notas. Em 1964 e 1965, uma série de incidentes na fronteira colocou os dois países muito próximos de um conflito. O "mal estar" somente foi resolvido com a assinatura das "Atas das Cataratas", em 1966, que não resolvia a questão da soberania sobre Sete Quedas, mas garantia aos dois países uma igual participação em qualquer projeto hidroelétrico na área (ESPÓSITO NETO, 2008).
Pouco tempo depois, o governo brasileiro nomeou Gibson Barboza como embaixador brasileiro em Assunção. No seu livro de memória, Barboza relembra as tensões vividas na época. Afirma ser de sua autoria a idéia de construir Itaipu e "submergir" o litígio territorial com o Paraguai (BARBOZA, 1992).
Em 1967, os dois países criaram uma comissão mista para analisar a viabilidade e os detalhes técnicos da construção da obra. Após intensas negociações por anos a fio, os dois Estados assinaram o Tratado de Itaipu (1973), o qual versa sobre o aproveitamento hidroelétrico das cataratas de Sete Quedas. Assim, ambos Estados, apesar de suas assimetrias, tornaram-se sócios na empreitada de Itaipu. Os destino dos dois estariam, a partir de então, unidos pelo concreto e pela energia dessa grandiosa obra.
Essa iniciativa, no entanto, enfrentou uma obstinada oposição de Buenos Aires, pois as autoridades da Casa Rosada acreditavam que Itaipu representaria o rompimento do equilíbrio de poder na região, em favor do Brasil e em detrimento da Argentina (GUGLIAMELLI, 2007). Essa questão somente seria resolvida com Tratado Tripartite (1979).
Apesar do "casamento" entre o Brasil e o Paraguai, Assunção iniciou um "affair" com Buenos Aires, quando assinou os acordos para a construção de Yaciretá e Corpus, ainda em 1973.  Stroessner mudou a sua política externa de aliança com o Brasil para outra de uma "neutralidade pragmática" (MENEZES, 1987, p. 112).
...Na verdade, quem se encontrava em uma boa posição era o país Guarany pois o que ele perdesse em Itaipu com o rebaixamento da cota, recuperaria das usinas de Corpus e  Yacirita. Assim o desacordo era mais entre Brasil e Argentina, com o Paraguai em uma excelente posição, principalmente porque um daqueles projetos já estava em construção e desse modo seu poder de barganha aumentava. (MENEZES,1987,p. 112).
A partir do final da década de 1970, novos desentendimentos (ciclagem, preço de energia, entre outros), a crise econômica da década de 80 e mudanças sistêmicas levaram uma redefinição das relações entre o Palácio López e o Palácio do Planalto.
A questão da ciclagem da energia gerada por Itaipu estremeceu as relações brasileiro-paraguaias em 1977. Esse problema se iniciou quando Assunção exigiu que a metade das turbinas de Itaipu gerasse energia ao padrão 50Hz, ou seja, o adotado por todos os países do continente sul-americano, exceto o Brasil, cujo padrão é de 60 HZ. Na prática, o Brasil não poderia comprar a energia paraguaia de Itaipu, ao menos que investisse uma vultuosa soma na construção de um sistema de conversão da energia paraguaia para o padrão brasileiro (MENEZES, 1987: ESPÓSITO NETO, 2006). Outra solução possível era mudar o padrão do sistema paraguaio para 60 Hz, o que implicaria na troca de grande parte dos eletro-eletrônicos do Paraguai, mas sem nenhum ônus ao Tesouro brasileiro. Stroessner, ao retardar a decisão, procurou forçar uma nova barganha com as autoridades brasileiras. No entanto, essas já estavam cansadas da postura paraguaia e decidiram arcar com os custos do sistema de conversão (MENEZES, 1987, p.124).
Os inúmeros reclamos paraguaios por um papel mais proeminente na direção de Itaipu binacional (DEBERNARDI, 1996, p. 356) e os apelos de Assunção para um o aumento real no preço da energia paraguaia ao mercado brasileiro (MENEZES, 1987, p. 127: DEBERNARDI, 1996) foram outros motivos para o esfriamento no relacionamento brasileiro -paraguaio.
Na década de 80, outros fatores, como a crise econômica, a redemocratização e o endurecimento brasileiro no combate às atividades ilegais na fronteira com o Paraguai, como narcotráfico, contrabando, roubo de carros, entre outros, - os quais envolviam diretamente altas autoridades paraguaias - fizeram com que as relações brasileiro-paraguaias perdessem o seu "fôlego".
http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000122011000300051&script=sci_arttext
avatar
Alquimista
Admin

Mensagens : 722
Data de inscrição : 14/02/2017

Ver perfil do usuário http://mestredoconhecimento.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Itaipu: Orgulho ou Vergonha Nacional?

Mensagem por Alquimista em 23/5/2017, 02:32

VEREDITO:

De acordo com os textos supra, verificamos que o tal professor do Clube Cético está SIM totalmente equivocado. Nada a ver o que ele falou!!!!!! Só besteiras risíveis... Como essa COLOSSAL PATAQUADA aqui:

SnowRaptor escreveu:No caso de Itaipu, eles podem elevar a tensão até 15MV (ou 50MV, não lembro direito)

''50MV''?????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

PUTZ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Não chega nem a 1 Megavolt isso aí... HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA...
avatar
Alquimista
Admin

Mensagens : 722
Data de inscrição : 14/02/2017

Ver perfil do usuário http://mestredoconhecimento.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Itaipu: Orgulho ou Vergonha Nacional?

Mensagem por Gigaview em 12/6/2017, 18:34


Olha, eu nem faço ideia do que são os termos técnicos que você citou aí, mas conheço o SnowRaptor muito bem e acredito que se ele errou ele vai admitir a derrota numa boa porque a vida continua.

_________________
Love it or Hate it
avatar
Gigaview

Mensagens : 20
Data de inscrição : 12/06/2017

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Itaipu: Orgulho ou Vergonha Nacional?

Mensagem por Alquimista em 6/7/2017, 14:47

Gigaview escreveu:
Olha, eu nem faço ideia do que são os termos técnicos que você citou aí, mas conheço o SnowRaptor muito bem e acredito que se ele errou ele vai admitir a derrota numa boa porque a vida continua.

É, parece que até hoje ele não foi lá admitir a DERROTA não!!!!!! Ele deve estar ITAIPUTO da viewda!!!!!!!

_________________
Secretum Finis Africae: O Alquimista é o supremo alfa e ômega das Artes Transmutatórias Aurintelectuais.  
avatar
Alquimista
Admin

Mensagens : 722
Data de inscrição : 14/02/2017

Ver perfil do usuário http://mestredoconhecimento.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum