1 Samuel 28

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1 Samuel 28

Mensagem por Alquimista em 18/5/2017, 05:46


É um fato comum que os não convictos com suas crenças se enveredam para um sincretismo religioso desenfreado que não vinga à luz das doutrinas. Tal amálgama capenga também foi inevitável entre as heresias difusas na Idade Média. E é isso o que veremos agora!


Um dos argumentos que os espíritas mais gostam de usar como apelo à autoridade é o de citar passagens bíblicas para justificar as falhas de suas crenças roustainguistas. Uma em especial que eles adoram está em 1 Samuel 28. Vamos analisa-la:

E sucedeu naqueles dias que, juntando os filisteus os seus exércitos à peleja, para fazer guerra contra Israel, disse Aquis a Davi: Sabe de certo que comigo sairás ao arraial, tu e os teus homens.
Então disse Davi a Aquis: Assim saberás o que fará o teu servo. E disse Aquis a Davi: Por isso te terei por guarda da minha pessoa para sempre.
E Samuel já estava morto, e todo o Israel o tinha chorado, e o tinha sepultado em Ramá, que era a sua cidade; e Saul tinha desterrado os adivinhos e os encantadores.
E ajuntaram-se os filisteus, e vieram, e acamparam-se em Suném; e ajuntou Saul a todo o Israel, e se acamparam em Gilboa.
E, vendo Saul o arraial dos filisteus, temeu, e estremeceu muito o seu coração.
E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.
Então disse Saul aos seus criados: Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela, e consulte por ela. E os seus criados lhe disseram: Eis que em En-Dor há uma mulher que tem o espírito de adivinhar.
E Saul se disfarçou, e vestiu outras roupas, e foi ele com dois homens, e de noite chegaram à mulher; e disse: Peço-te que me adivinhes pelo espírito de feiticeira, e me faças subir a quem eu te disser.
Então a mulher lhe disse: Eis aqui tu sabes o que Saul fez, como tem destruído da terra os adivinhos e os encantadores; por que, pois, me armas um laço à minha vida, para me fazeres morrer?
Então Saul lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Vive o Senhor, que nenhum mal te sobrevirá por isso.
A mulher então lhe disse: A quem te farei subir? E disse ele: Faze-me subir a Samuel.
Vendo, pois, a mulher a Samuel, gritou com alta voz, e falou a Saul, dizendo: Por que me tens enganado? Pois tu mesmo és Saul.
E o rei lhe disse: Não temas; que é que vês? Então a mulher disse a Saul: Vejo deuses que sobem da terra.
E lhe disse: Como é a sua figura? E disse ela: Vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou.
Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e não me responde mais, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos; por isso te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer.
Então disse Samuel: Por que, pois, me perguntas a mim, visto que o Senhor te tem desamparado, e se tem feito teu inimigo?
Porque o Senhor tem feito para contigo como pela minha boca te disse, e o Senhor tem rasgado o reino da tua mão, e o tem dado ao teu próximo, a Davi.
Como tu não deste ouvidos à voz do Senhor, e não executaste o fervor da sua ira contra Amaleque, por isso o Senhor te fez hoje isto.
E o Senhor entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o arraial de Israel o Senhor entregará na mão dos filisteus.
E imediatamente Saul caiu estendido por terra, e grandemente temeu por causa daquelas palavras de Samuel; e não houve força nele; porque não tinha comido pão todo aquele dia e toda aquela noite.
1 Samuel 28:1-20

Para aqueles que tem SABEDORIA, é evidente não se pode traçar um paralelo entre o médium espírita comum e a necromante que evocou o ''espírito do profeta'' através de feitiçaria, segundo o relato que consta acima.
O médium espírita é um fenômeno moderno que veio a se tornar definitivo em 1848 pelas falcatruas das irmãs Fox através do chamado telégrafo espiritual. E o telégrafo espiritual é totalmente divergente dos métodos necromantes do pretérito.

Para a feiticeira, só teria algumas opções. Uma delas seria a materialização do suposto Samuel, e nem isso combina com o espiritualismo moderno, uma vez que as sessões de materialização ectoplasmática ocorreriam sob o conditio sine qua non de que o médium se pusesse num recinto fechado (a cabine do médium) que por sua vez estivesse localizado num recinto mergulhado na obscuridade (a luz influenciaria na suposta produção da dita matéria éter-luminífera condensada). E sabemos que em 1 Samuel 28:7-20 não ocorre nada disso, o que destoa consideravelmente do que é vulgarmente conhecido como espiritismo (espiritualismo moderno seria mais adequado).

Quanto às reencarnações, as das doutrinas e seitas antigas também nada tem a ver com as do espiritualismo moderno, e quando digo ''as'', ao invés de ''a'', é que mesmo as crenças na reencarnação e suas formas manifestas se diferiam dentro do movimento espiritualista moderno ocidental, como podemos ratificar nas discordantes opiniões entre a facção britânica e a facção continental, de maior expressividade na Gália.

Quantos às outras opções que a necromante de En-Dor teria que se igualasse a uma médium que teve as irmãs Fox como paradigma também não se enquadram no texto bíblico. Ou seja, a feiticeira não se comunicou com o suposto espírito através de pancadas, psicografia, incorporação ou mesmo materialização de ectoplasma, como vimos. O método dela em nada diferia dos antigos adivinhos feiticeiros do passado e não era consoante com o dos médiuns espiritualistas pós 1848. Justamente por o texto bíblico ser tão vago quanto aos detalhes do ritual utilizado é que não se pode asseverar uma similaridade concreta com a mediunidade espiritualista moderna. Mas ele guarda algumas relevantes pistas sim, como veremos a seguir.
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Re: 1 Samuel 28

Mensagem por Alquimista em 18/5/2017, 05:47


O texto é bastante vago e não afirma que a entidade se materializou e nem que Saul conseguiu visualizá-la uma vez que a necromante se expressou através do termo ''subir'', e foi pela (incerta) descrição dela (ancião que trajava uma capa) que o solicitante interpretou a entidade como sendo Samuel.
Outrossim, um judeu ou cristão poderia alegar que a entidade não era um espírito de falecido, senão algo maléfico, haja vista o quão vagos são os detalhes contidos em 1 Samuel 28. Faz até mais sentido, já que o texto deixa claro que o rei Saul não havia obtido nenhuma revelação por vias divinas.

Mas não se pode confundir práticas necromantes antigas com espiritismo. O último é uma doutrina criada por Allan Kardec na segunda metade do século XIX que escassa verossimilhança tem com 1 Samuel 28. E uma das premissas básicas apregoadas por Kardec era o controle universal.

Cabe lembrar que várias versões da bíblia apresentam traduções desconexas para o mesmo termo, seja como pitonisa, ou até mesmo médium.
A tradução necromante procede, mas pitonisa não, muito menos a de médium. A pitonisa era um oráculo que operava profecias diretamente de Apolo, e não de algum espírito de falecido. Apolo teria matado a flechadas uma serpente gigante chamada Píton no local onde se instalaria o Oráculo de Delfos, que recebeu o epíteto ''pitonisa'' justamente por causa da serpente.
E de onde vinham as visões dela, se não era uma médium?
Segundo os relatos, por meio de vapores que ela inalava, levando-a ao êxtase. E parece que realmente existe uma fissura que passa no local exato do antigo Oráculo de Delfos, onde gases poderiam ter se libertado das entranhas da terra. Antes da pitonisa, Delfos já era conhecido como lugar consagrado a oráculos, mas o ''poder'' de fazer profecias nesses tempos provinha da própria mãe natura, e não de Apolo.
Mas cá entre nós, Delfos era o oráculo onde todo mundo ia. Não é difícil imaginar que os funcionários do oráculo eram pessoas mui bem informadas, que sabiam de tudo, logo não é tão absurdo assim que tais profecias tivessem tanta credibilidade na antiguidade.

Enfim, O problema está nas más traduções, como podemos notar. Elas variam o sentido, distorcendo o contexto. Mas não há dúvidas que o relato em 1 Samuel 28 tem muito mais a ver com ocultismo e as práticas de necromancia antiga do que com a mediunidade como foi moldada no século XIX pelas irmãs Fox.

Argumentar que a necromante de En-Dor seria uma médium espírita é igual um evangélico argumentar que uma entidade maléfica teria sido evocada. O nexo neste caso é até maior porque o texto nos fornece a informação de que Saul recorreu à feitiçaria (uma prática então condenada) como um ato de desespero por não ter sido atendido em nenhuma instância pela sua divindade.

O problema é que o teor do texto é tão dúbio que muitas interpretações podemos extrair se considerarmos apenas o relato isolado do restante do contexto. E é justamente esse o erro a que incorrem os roustainguistas.

Ao que me parece, há uma tentativa (mesmo que não proposital) de justificar o roustainguismo através de relatos bíblicos como apelo à autoridade. Não convém sair pescando relatos mitológicos a esmo e nomear qualquer entidade como fenômenos do espiritismo. A feiticeira de Endor não é uma médium espírita porque isso aí só veio a se consolidar com as irmãs Fox em 1848. Ela nada mais era do que mais uma necromante das mitologias arcaicas, que invocou uma entidade duvidosa através de práticas de necromancia. E isso é tudo o que podemos aferir em 1 Samuel 28.

Práticas ocultistas e artifícios mágicos são díspares em relação à mediunidade espiritualista.
O intermediário, no caso da feiticeira de Endor, foi o ritual empregado por ela, que qualquer um orientado por uma vontade forte poderia emular (segundo os ditames do ocultismo, é claro), e não alguém exclusivamente dotado de uma sensibilidade (ou capacidade) especial, uma qualidade excepcional ou poder extra-sensorial, como é definido o médium pelos espiritualistas.
Aventar devaneios de vida post-mortem através dessas estórias antigas é uma coisa, já partir para justificar o roustainguismo através das mesmas é outra...

Não podemos misturar cada doutrina desse modo.
Vou explicar como compreendo a situação: penso que os espiritualistas modernos (bem como a DE) se encaravam como sendo portadores de uma nova revelação. Sendo assim, não era costume de Kardec e dos espiritualistas saírem buscando no passado pistas que justificassem a existência da doutrina criada por ele, até porque, reitero, Kardec tinha como premissa básica o controle universal.
Quem começou com essa misturada de querer justificar a DE com passagens bíblicas foi Roustaing, cujos discípulos proliferaram o roustainguismo (disfarçado de espiritismo) no Brasil (que sempre acatou tão bem os sincretismos religiosos), principalmente dentro do catolicismo e da maçonaria, com o intuito de obter aprovação de autoridades religiosas e política, caso contrário o espiritismo (sem estar sob o julgo dos devaneios de Roustaing) não vingaria por essas bandas.
Por isso é tão comum encontrarmos roustainguistas (que se dizem espíritas autênticos) nas lojas maçônicas, nos consultórios médicos, enfim, e mesmo alguns sacerdotes católicos não escondem seus entusiasmos em relação aos livros de Chico Xavier e afins.

Para mim a passagem em 1 Samuel 28 deixa explícito que ali se trata de práticas ocultas, de magia, feitiçaria, e não da onda espiritualista que contagiou a Europa no século XIX, ainda inebriada pelas ''teorias'' de Mesmer. Sim, a moda espiritualista europeia bebeu deveras nas elucubrações de Mesmer, bem como nas de Swedenborg, Paracelso e afins.
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Re: 1 Samuel 28

Mensagem por Alquimista em 18/5/2017, 05:55


Com certeza já havia na antiguidade uma crença forte na vida após a morte, em fantasmas, assombrações e até em reencarnações; a passagem em Samuel não nos deixa dúvidas quanto a isso.
A questão é quando mal interpretamos as escrituras, ou as distorcemos para se adequar às nossas crenças.
Um bom exemplo disso são as heresias medievais.
Os heresiarcas mal interpretavam as escrituras e formavam seitas. Seus seguidores, na maioria pessoas simples, não entendiam de doutrina e por isso era comum que confundissem e identificassem ensinamentos de uma seita herética com os de outra. E isso gerou a maior balbúrdia na época.
Por isso que as heresias medievais é um assunto árduo e labiríntico para os estudiosos medievalistas.

Não há dúvidas de que tal confusão é gerada quando uma pessoa despreparada se depara com 1 Samuel 28. De faro, muitos teólogos consideram esse texto como um dos mais difíceis de toda a bíblia, o que facilmente explica a clara tentativa de justificar crenças espiritualistas através dele como argumentum ad verecundiam, o que denota, querendo ou não , uma postura roustainguista.

Vamos colocar assim: suponhamos que, em última instância, os espíritas estejam certos e a bíblia contenha, sim, passagens que flagram uma crença espiritualista do modo como enxergam.
Só que, ainda assim, isso não prova de qualquer forma que espíritos existem, ou que o espiritismo esteja certo... Ao contrário, a bíblia é apenas mais um livro de mitologia, e um que ainda sofreu deveras adulterações no decorrer da história.
O que eu quero dizer é que muitos querem justificar mentiras através de um livro que conta mentiras. Afinal, vocês não acreditam que a passagem em 1 Samuel 28 tenha realmente acontecido historicamente, acreditam? Falaremos mais sobre isso depois...

O engraçado é que nunca flagramos espíritas pescando ''evidências'' de espiritismo nos fantasmas de Shakespeare, como em Hamlet e Macbeth. Mas esperem só para ver...


Última edição por Alquimista em 18/5/2017, 06:40, editado 1 vez(es)
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Re: 1 Samuel 28

Mensagem por Alquimista em 18/5/2017, 06:17


Independente de 1 Samuel 28 ter sido um evento histórico ou não, alguém poderia vir com uma explicação alternativa alegando ser perfeitamente plausível que o personagem Saul tenha acessado seu próprio subconsciente através do ritual da bruxa?
De acordo com esse pensamento, seria bem mais sensato supor que essa era a intenção do autor, haja vista que podemos nitidamente perceber no diálogo um homem desesperado e de consciência pesada monologando consigo mesmo, porém iludido (ou como subterfúgio para escapar do inevitável fado), desejando acreditar que era o profeta quem lhe falava. Evidência disso é que a divindade dele havia vilipendiado suas súplicas e tudo o que Samuel (o ''eu oculto'' dele) falou, ele já sabia.

Enfim, o ritual o teria induzido a entrar num estado alterado de consciência (como uma autohipnose), levando-o a se debater com seu próprio ''eu''. O homem já estava desesperado, queria uma resposta de qualquer jeito (sua divindade então já o ignorara), sabia qual seria seu destino. Nessa situação, é fácil aventar esta versão, como também é fácil explicar porque ele queria tanto que fosse o Samuel (o homem que o havia acudido antes da queda).
O ''mundo espiritual'' de Saul poderia ser seu próprio subconsciente. Mas como os antigos nada disso sabiam, interpretavam como anjos, demônios, espíritos, duendes e fadas.

Claro que essa é uma explicação alternativa, passível de ser correta. Tão passível de ser certa quanto a do espiritismo. É apenas uma possibilidade, um nobre exercício de imaginação para buscar a verdade. Afinal, leituras vagas abrem espaço para 1001 hermenêuticas.

E já que falamos em exercício de imaginação, faremos um agora a fim de analisar a passagem na íntegra, trecho por trecho, para ver se ela encaixa mesmo com a explicação psicológica:

E o rei lhe disse: Não temas; que é que vês? Então a mulher disse a Saul: Vejo deuses que sobem da terra.
E lhe disse: Como é a sua figura? E disse ela: Vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou.
Aqui fica claro que Saul se deixou levar pela sugestão da bruxa, e acreditou (entendeu) se tratar de Samuel, porém sem vê-lo para confirmar sua crença, pois já estava prostrado. Ou seja: autoilusão através de sugestão.

Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir?
''Fazendo-me subir?'' Samuel, um profeta do tetragrammaton, estava onde, então? Subiu de onde? Não, não era Samuel...

Então disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e não me responde mais, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos;
Detalhe importantíssimo: ''Deus se tem desviado de mim, e não me responde mais, nem pelo ministério dos profetas...''
Então aquela suposta entidade não poderia ser um profeta, logo, não era Samuel.

por isso te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer.
Seria a voz de sua própria consciência o ''invocado''?

Então disse Samuel: Por que, pois, me perguntas a mim, visto que o Senhor te tem desamparado, e se tem feito teu inimigo?
Porque o Senhor tem feito para contigo como pela minha boca te disse, e o Senhor tem rasgado o reino da tua mão, e o tem dado ao teu próximo, a Davi.
Como tu não deste ouvidos à voz do Senhor, e não executaste o fervor da sua ira contra Amaleque, por isso o Senhor te fez hoje isto.
A voz da própria consciência de um homem já abandonado e entregue à própria sorte?

E o Senhor entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o arraial de Israel o Senhor entregará na mão dos filisteus.
Não há profecia alguma aqui. Os filisteus já estavam acampados por perto. Por isso Saul teve que ir disfarçado ao encontro com a bruxa.
E Saul se disfarçou, e vestiu outras roupas, e foi ele com dois homens, e de noite chegaram à mulher; e disse: Peço-te que me adivinhes pelo espírito de feiticeira, e me faças subir a quem eu te disser.
1 Samuel 28:8
Já era bastante óbvio o que iria acontecer. É como se diz: seu destino já estava traçado!


Última edição por Alquimista em 18/5/2017, 06:21, editado 1 vez(es)
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Re: 1 Samuel 28

Mensagem por Alquimista em 18/5/2017, 06:20


Mas e quanto ao termo ''subir''?

Segundo os espíritas, 1 Samuel 28 contém referências explícitas à uma crença espírita entre os Hebreus, mas é deveras evidente que o termo ''subir'' se refere única e exclusivamente às crenças judaicas. E a palavra chave aqui é Sheol.

Se Samuel fosse um espírito, não poderia, em hipótese alguma, estar no Sheol, que ficava debaixo da terra.
O Livro dos Espíritos proclama que os espíritos ficam na erraticidade; Chico Xavier e os swenderbogianos alegavam que eles habitam humbrais e colônias espirituais. Mas nunca afirmaram que espíritos de judeus ficavam no Sheol. Logo, não poderia ser o espírito de Samuel. Errado?

Ora, e se Saul quisesse, digamos, consultar o espírito de Imhotep?
Obviamente Imhotep não estaria em Sheol, não é mesmo? Certamente ele estaria nos Campos de Juncos. Segundo a mitologia egípcia, há uma diferença de destino após a morte entre os bons e os maus. Nem todos iam para a mesma morada eterna. Se o sujeito fosse justo, tivesse recitado as confissões negativas (que já incluíam os mandamentos mosaicos) direitinho, se seu coração (alma) tivesse sido pesado corretamente e etc, ele iria direto para os Campos de Juncos.

O problema nesta questão é que o suposto espírito Samuel é quem afirma: ''por que me fizestes subir, Saul''? Se fosse Imhotep, este não diria isso!
Todavia, Saul já chegou ordenando ''Faça-me subir quem eu quero''. Eram crenças judaicas, não há dúvidas!

Esqueçam o espiritismo!
Almas penadas, fantasmas, assombrações e invocações são crenças tão antigas quanto a humanidade. Nada tem a ver com o espiritualismo dito moderno, como vimos nas contradições apontadas acima, senão com crenças relacionadas ao ocultismo, necromancia, feitiçaria e sortilégios.

E aquela bruxa não tinha o espírito da adivinhação coisa nenhuma, senão teria adivinhado de cara que aquele homem disfarçado era o Saul:
Vendo, pois, a mulher a Samuel, gritou com alta voz, e falou a Saul, dizendo: Por que me tens enganado? Pois tu mesmo és Saul.
1 Samuel 28:12
Como também já saberia de antemão a quem Saul iria consultar!
Logo, não era médium coisíssima nenhuma, senão uma baita embusteira!


Porém o mais adequando agora é analisar como que de fato era o submundo dos mortos de acordo com as crenças judaicas. Citarei dois excelentes estudos para elucidar melhor a questão.

No Antigo Testamento a palavra Sheol ocorre em sessenta e cinco ocasiões e é traduzida na versão inglesa da Bíblia em trinta e uma ocasiões como "sepultura", em três ocasiões como "abismo" e em trinta e uma ocasiões como "inferno", o que significa que os excelentes tradutores da versão inglesa de 1611 não consideraram a palavra como tendo um significado uniforme. Ela aparece na versão grega em sessenta e uma ocasiões como Hades, em duas ocasiões (2 Sm 22:6 e Pv 23:14) como "morte" (thanatos), enquanto em duas passagens (Jó 24:19 e Ez 32:21) não exista uma contrapartida exata das referências hebraicas que esteja reproduzida na Septuaginta, e por isso não há uma representação dessa palavra nestes casos.

Já nas passagens que se seguem (existem outras), como Gn 37:35; Gn 42:38; Gn 44:29, 31: Nm 16:30, 33; 1 Rs 2:6, 9; Sl 49:15; Sl 141:7, a palavra Sheol pode muito bem não significar nada além de "túmulo" ou "sepultura", e é assim que aparece na Versão Autorizada (King James) (exceto em Nm 16, onde aparece como "abismo"); enquanto nos demais lugares costuma ser feita uma referência genérica como o lugar para onde vão os espíritos que partiram. A sepultura recebe o corpo. Assim, no Antigo Testamento a palavra Sheol (ou Seol) é usada para ambos receptáculos.

Todavia, quando vamos para o Novo Testamento essa indefinição desaparece, pois vida e incorrupção são coisas que agora são desvendadas ao longo do evangelho. O Hades, uma representação genérica da palavra Sheol (Seol) aparece no Novo Testamento restrito ao mundo invisível dos espíritos separados, ou como "morte", ou como a sepultura, e aplica-se (Ap 20) apenas ao corpo, e não à alma ou ao espírito. É o corpo que morre; enquanto o espírito retorna para Deus que o deu. O espírito e a alma nunca deixam de existir, seja para o bem, seja para o mal. Além disso, o Hades recebe apenas os ímpios; enquanto o crente, quando chamado a morrer, não vai para o Hades, mas para o Paraíso.

Mesmo assim costuma-se pensar que tanto bons quanto maus poderiam ir para o Hades, apesar dessas duas classes de pessoas serem separadas por um grande abismo; mas em nenhum lugar as Escrituras falam dos bons no Hades, ao contrário, sempre aparecem bem longe dos que estão ali. É claro que, se considerarmos o Salmo 16:10 (que é em duas ocasiões citado em Atos 2) como ensinando que nosso Senhor ao morrer foi para o Sheol (Seol), ou Hades, havendo sua alma não permanecido ali - como sabemos Ele foi para o Paraíso (um jardim de delícias, não de trevas), onde também o ladrão que morreu foi recebido - então devem ter existido neste caso duas áreas, respectivamente para os maus e os bons. Mas este erro vêm de uma tradução equivocada do Salmo na versão de 1611 (King James). O que o versículo realmente diz é, "Não deixarás (abandonarás ou relegarás) minha alma para (e não "no") Sheol (ver Revised Version), e esta forma é confirmada também pelo texto corrigido de Atos 2:27 (aceito pelos editores críticos Lachmann, Tischendorf, Tregelles, Westcott e Hort, e pelos revisores - isto refere-se à mais recente edição na época do valioso trabalho de W. Kelly, "The Preaching to the Spirits in Prison", 1910, pgs. 125, 133-139).

O Hades volta a ser mencionado no Novo Testamento em um bom sentido. Se existisse no Hades uma parte boa e outra ruim, por que deveríamos ler do destino dos ímpios ser invariavelmente ali sem que houvesse qualquer indício de ser também o destino dos bons?
http://www.respondi.com.br/2011/04/o-que-biblia-ensina-sobre-o-sheol-ou.html


Nas Escrituras hebraicas, a palavra usada para descrever o reino dos mortos é Sheol. Ela significa simplesmente o "lugar dos mortos" ou o "lugar das almas/ espíritos que partiram." A palavra grega do Novo Testamento usada para "inferno" é hades, que também se refere ao "lugar dos mortos". A palavra grega  gehenna  também é usada no Novo Testamento para "inferno" e é derivada da palavra hebraica hinnom. Outras Escrituras no Novo Testamento indicam que Seol/Hades é um lugar temporário onde as almas dos infiéis são mantidas enquanto aguardam a ressurreição e julgamento final no julgamento do Grande Trono Branco. Ao morrerem fisicamente, as almas dos justos vão diretamente para a presença de Deus - céu/paraíso/seio de Abraão (Lucas 23:43; 2 Coríntios 5:8, Filipenses 1:23).
https://www.gotquestions.org/Portugues/sheol-hades-inferno.html

Logo, existe sim uma diferença quanto ao destino dos bons e dos maus. Portanto, aquele que a bruxa fez ''subir'' não poderia ser, em hipótese alguma, Samuel.


Última edição por Alquimista em 18/5/2017, 08:42, editado 23 vez(es)
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Re: 1 Samuel 28

Mensagem por Alquimista em 18/5/2017, 07:24


Vamos passar logo para a CONCLUSÃO deste estudo!

Pesquisando mais um pouco por aí, eis o que descubro:

E o Senhor entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o arraial de Israel o Senhor entregará na mão dos filisteus.
1 Samuel 28:19

Será que o suposto espírito de Samuel disse mesmo a verdade? Vamos conferir:

a) Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus (1 Sm 28.19), mas se suicidou (1 Sm 31.4) e veio parar nas mãos dos homens de Jabes-Gileade: 1 Sm 31.11,13. Infelizmente, o pseudo-Samuel não podia prever este detalhe;

b) não morreram todos os filhos de Saul (“… tu e teus filhos”, 1 Sm 28.19) como insipua essa outra profecia obscura. Ficaram vivos pelo menos três filhos de Saul: Isbosete (2 Sm 2.8-10), Armoni e Mefibosete: 2 Sm 21.8. Apenas três morreram, como anotam clara e objetivamente as passagens seguintes: 1 Sm 31.6 e 1 Cr 10.2-6;

c) Saul não morreu no dia seguinte (“… amanhã… estareis comigo”, 1 Sm 28.19). Esta é uma profecia do tipo délfico, ambígua. Saul morreu cerca de dezoito dias depois: 1 Sm 30.1,10,13,17; 2 Sm 1.13. Afirmar que a palavra hebraica “mahar” (amanhã), aqui, é de sentido indefinido, é torcer o hebraico e a sua exegese, pois todos vão morrer mesmo, em “algum dia” no futuro, isto não é novidade;

d) Saul não foi para o mesmo lugar que Samuel (“…estareis comigo”, 1 Sm 28.19). Outra profecia inversossímil: interpretar o “comigo” por simples “além” (Sheol), é tergiversar. Samuel estava no “seio de Abraão”, sentia isso e sabia a diferença que existe entre um salvo e um perdido. Jesus também o sabia, e não disse ao ladrão que estava na cruz: “Hoje estarás comigo no além (Sheol)”, mas sim no “Paraíso”. Logo, Samuel não podia ter dito a Saul que este estaria no mesmo lugar que ele: no “seio de Abraão”. Porque com o ato abominável e reprovado de Saul em consultar uma feiticeira e não ao Senhor, foi completamente anulada a sua possibilidade de ir para o mesmo lugar de Samuel – o “seio de Abraão”.
http://www.cacp.org.br/quem-apareceu-a-saul/

Conclusão: o suposto espírito de Samuel mentiu descaradamente e a profecia não se cumpriu, logo, não era Samuel.


Por que então a bíblia cita nominalmente Samuel três vezes?

O narrador de 1 Samuel 28 precisou colher os detalhes através de testemunhas, correto? E quem seriam elas?
Ora, o texto diz que no evento haviam apenas a bruxa, Saul, e os dois homens que acompanhavam ele.

E Saul se disfarçou, e vestiu outras roupas, e foi ele com dois homens, e de noite chegaram à mulher
1 Samuel 28:8

Pois bem... Saul não poderia ter sido porque morreu, a bruxa, nem pensar! Logo, sobraram só os dois homens.
Porém... a bíblia diz claramente o seguinte:

Assim faleceu Saul, e seus três filhos, e o seu pajem de armas, e também todos os seus homens morreram juntamente naquele dia.
1 Samuel 31:6

''Todos os seus homens morreram juntamente naquele dia.''

Ora, então quem foram as testemunhas que serviram de base para que o narrador de 1 Samuel 28 elaborasse a sua lorota?

Mas não é esse o problema que quero abordar aqui.

Vamos supor que um desses dois homens tenha milagrosamente sobrevivido e contou o relato para o narrador.
Vimos que Saul acreditou que a ''entidade'' seria Samuel. Seus homens, por lhe servirem, evidentemente acreditaram também. Logo, quem testemunhou a estória passou para o narrador que, de fato, era Samuel quem havia se manifestado em En-Dor. Elementar!

O narrador, para não cometer falso testemunho e mentir, precisou ser objetivo e fiel aos fatos ao elaborar sua narrativa bíblica, escrevendo com exatidão o que havia sido relatado a ele, mas, principalmente porque estava sob ''inspiração divina'', e nenhum crente pode questionar isso.

Mas... apesar desses fatos inquestionáveis, será que o narrador, ''inspirado divinamente'', concordava com tudo isso, ou seja, com a opinião da testemunha de que era o Samuel mesmo ali?

A resposta é um alto e sonoro NÃO! Evidências:

E lhe disse: Como é a sua figura? E disse ela: Vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou.
1 Samuel 28:14

O narrador diz que Saul entendeu que aquilo, seja lá o que fosse, era Samuel. Notem que o texto ora nenhuma afirma tacitamente que, de fato, era Samuel.

Ora nenhuma também o narrador escreve que a profecia de Samuel se cumprira quando na morte de Saul. Por quê? Porque duvidava que era Samuel?

Resumindo, o narrador de 1 Samuel 28 precisou ser objetivo e honesto com o depoimento da testemunha, mas justamente por estar sob ''inspiração divina'', ele também precisou ser cúmplice da verdade. Daí ter se recusado a dizer que a profecia de Samuel se cumprira, porque no fundo ele não acreditava nela. Sabia que aquilo tudo era uma mentira!



Não obstante tais fatos inquestionáveis, a minha opinião é que a maior contradição ainda continua a ser a questão problemática da palavra ''subir''.

Quem foi que subiu? E de onde?

Ora, de acordo com este ensaio:
d) Saul não foi para o mesmo lugar que Samuel (“…estareis comigo”, 1 Sm 28.19). Outra profecia inversossímil: interpretar o “comigo” por simples “além” (Sheol), é tergiversar. Samuel estava no “seio de Abraão”, sentia isso e sabia a diferença que existe entre um salvo e um perdido. Jesus também o sabia, e não disse ao ladrão que estava na cruz: “Hoje estarás comigo no além (Sheol)”, mas sim no “Paraíso”. Logo, Samuel não podia ter dito a Saul que este estaria no mesmo lugar que ele: no “seio de Abraão”. Porque com o ato abominável e reprovado de Saul em consultar uma feiticeira e não ao Senhor, foi completamente anulada a sua possibilidade de ir para o mesmo lugar de Samuel – o “seio de Abraão”.
http://www.cacp.org.br/quem-apareceu-a-saul/

Não restam mais dúvidas que realmente não poderia ter sido o Samuel.


Veredito: não há nada de médiuns e espiritismo em 1 Samuel 28!

O suposto espírito de Samuel mentiu, a profecia não foi cumprida, Saul não morreu no dia seguinte, alguns filhos seus sobreviveram, o narrador parece não concordar com o relato da testemunha, e Saul nem poderia se juntar a Samuel depois de sua morte e nem Samuel poderia ter subido.

Logo, não era Samuel!

Quod erat demonstrandum!
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Re: 1 Samuel 28

Mensagem por Alquimista em 18/5/2017, 07:45


Mas quem pode ter sido a pessoa que testemunhou os eventos ocorridos em 1 Samuel 28?

Saul não pode ser porque morreu. A bruxa, nem pensar! Então só pode ter sido um dos dois homens que acompanhavam Saul.

Porém...

Assim faleceu Saul, e seus três filhos, e o seu pajem de armas, e também todos os seus homens morreram juntamente naquele dia.
1 Samuel 31:6

Quem prestou o depoimento, então?

Por isso acho que tal lorota é apenas uma invenção mitológica mal feita sem sentido!
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Re: 1 Samuel 28

Mensagem por Alquimista em 18/5/2017, 07:51


E justamente por a bíblia ser tão imprecisa e contraditória que é possível se interpretar ela com qualquer besteira.

Prova disso é um livro chamado A bíblia e os discos voadores, de Fernando Cleto Nunes Pereira, em que o autor faz uma releitura de toda a bíblia, do Genesis ao Apocalipse, à luz da ufologia e tudo que ele fala se encaixa tão bem que até um intelectual poderia se dar por convencido. Há até um episódio conhecido que envolve ninguém mais ninguém menos que o Malba Tahan, que citarei agora:

Terminei de escrever a obra em 1968, mas só o publiquei em 1970. Nesses dois anos fiquei criando coragem. Até que encontrei um grande astrônomo e matemático que foi a uma reunião da Ordem Rosacruz que eu frequentava. Tinha uma porção de gente lá. Assim que entrei na reunião, adivinhe quem estava sentado na cadeira de balanço: o matemático Malba Tahan, rindo, simpático [Pseudônimo do escritor, professor e matemático carioca Júlio César de Mello e Souza, falecido em 1974, autor de 56 livros, entre eles o famoso O Homem que Calculava (1938), que conta a história de um árabe que usa a matemática para resolver qualquer tipo de problema]. Aí tive aquela intuição. Eu estava levando uma vida muito asceta nesse período. Passei seis anos estudando a Bíblia, passei a viver uma vida de sacerdote, comecei a conhecer todas essas obras místicas. Estudei parapsicologia e psicologia. Quando entrei, vi aquele homem ali, e temi que ele estivesse ali para me destruir. Ele começou a falar e não deixou mais ninguém se pronunciar. Notei que conhecia muito bem a Bíblia e todo mundo começou então a me provocar: “Como é Cleto, vai falar ou não vai?”
Desculpei-me com o professor Malba Tahan dizendo que não me sentia à vontade para palestrar na presença dele, porque não sabia que ele conhecia tão bem a Bíblia. Mas já que era assim, não precisaria ficar explicando certos aspectos e poderia ir direto às minhas proposições. Mencionei meia dúzia de passagens em ordem cronológica, do Gênesis ao Apocalipse. Quando cheguei ao ponto-chave, que era a Estrela de Belém ou a Astronave de Belém, como eu a chamo, ele ficou olhando espantado para mim. Já tinha dado a ele cinco ou seis elementos para balançar. A Astronave de Belém iluminou o Menino Jesus e mais adiante largou superastronautas na superfície, que foram anunciar o nascimento do Messias. Depois, prosseguindo, a Estrela de Belém voltou para carregar Jesus na ascensão do Senhor. Aí ele interrompeu e falou:
“Chega, o senhor destruiu todos os meus 60 anos de vida. Realmente abalou todas as minhas convicções e eu vou lhe pedir seis meses pra rever tudo isso. Eu vou me retirar”.
Assim que ele saiu, o pessoal místico começou a me aplaudir, porque todos sabiam que ele tinha ido lá para me destruir. E isso me deu uma força muito grande para publicar A Bíblia e os Discos Voadores. Eu não queria magoar ninguém. Tanto é que, na abertura do livro, advirto aqueles que professam alguma religião para que não o leiam, sob risco de perderem sua fé.
http://www.ufo.com.br/admin/arquivos/pro_27.pdf

Algumas passagens que os ufólogos utilizam até melhor que os espíritas são, por exemplo:

Genesis 6:
E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas,
Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.
Gênesis 6:1,2

Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama.
Gênesis 6:4


João 7:
Jesus lhes respondeu, e disse: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.
João 7:16

Vós me buscareis, e não me achareis; e onde eu estou, vós não podeis vir.
João 7:34



Disse-lhes Jesus: Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.
João 8:23



Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.
João 16:12



E muitas, muitas outras...


Outra passagem que os místicos adoram interpretar do modo deles está em Marcos 14:

E, respondendo Jesus, disse-lhes: Saístes com espadas e varapaus a prender-me, como a um salteador?
Todos os dias estava convosco ensinando no templo, e não me prendestes; mas isto é para que as Escrituras se cumpram.
Então, deixando-o, todos fugiram.
E um certo jovem o seguia, envolto em um lençol sobre o corpo nu. E lançaram-lhe a mão.
Mas ele, largando o lençol, fugiu nu
Marcos 14:48-52


Já vi gays utilizando essa passagem para afirmar que Jesus era gay!

Enfim, pode-se interpretar a bíblia com todo tipo de bobagem, dependendo do desejo do tipo de crente que a lê.
Esse é o grande problema dos textos mitológicos.
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