A Trilha Sonora do Holocausto

Página 1 de 4 1, 2, 3, 4  Seguinte

Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Alquimista em 15/12/2018, 01:18


Dizem que Josef Mengele adorava cantar e tocar piano em Auschwitz.

A Trilha Sonora do Holocausto Men110

Imagina como devia ser a voz do Anjo da Morte ecoando pelo Campo de Concentração que ficou conhecido como Anus Mundi (Ânus do Mundo)...

Então ouçam gravações reais de Josef Mengele cantando e tocando piano para se ter uma ideia do cenário macabro:





Última edição por Alquimista em 15/12/2018, 01:44, editado 1 vez(es)

_________________
Secretum Finis Africae: O Alquimista é o supremo alfa e ômega das Artes Transmutatórias Aurintelectuais.  A Trilha Sonora do Holocausto Alpha_11
Alquimista
Alquimista
Admin

Mensagens : 1701

Ver perfil do usuário http://mestredoconhecimento.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Alquimista em 15/12/2018, 01:37


''Does anybody here remember Vera Lynn? Remember how she said that: We would meet again, some sunny day...''

A Trilha Sonora do Holocausto 2c4ffa10

Vera Lynn é uma cantora inglesa que ficou famosa durante a Segunda Guerra Mundial.

Na gravação a seguir ela canta aquela que iria se tornar a canção símbolo dos ingleses durante a guerra:

We'll Meet Again

A plateia é formada por pilotos da RAF (que em coro cantam junto com ela) e muitos voariam nesse mesmo dia para a batalha, mas quis o destino que muitos não retornassem para reencontrar seus companheiros, ao contrário do que diz a canção.


_________________
Secretum Finis Africae: O Alquimista é o supremo alfa e ômega das Artes Transmutatórias Aurintelectuais.  A Trilha Sonora do Holocausto Alpha_11
Alquimista
Alquimista
Admin

Mensagens : 1701

Ver perfil do usuário http://mestredoconhecimento.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 14/4/2019, 15:20


Só porque quase 1 século depois de compostas, os nazistas elegeram Wagner como o representante maior da arte, os judeus passaram a abominar o compositor que nunca conheceu um nazista, pois nenhum tinha nascido na época.
A História é escrita pelos vencedores, mesmo que de forma medíocre.

A propósito, o antisemitismo continua muito vivo e Wagner não tem nada a ver com isso. Os nazistas se apropriaram de muitas coisas para embasar seu regime e essas coisas ficaram com essa marca para sempre. A suástica por exemplo virou um símbolo maldito mas existe há milhares de anos na simbologia religiosa. Infelizmente tudo que teve ou tem alguma ligação com o regime da besta austríaca está maldito para sempre. Quantos bons compositores, pintores, escritores, filósofos, estão no esquecimento porque por uma ironia do destino viveram naquele tempo e abraçaram (ou tiveram de abraçar) a causa hedionda? Contam-se às centenas os quadros escondidos nos porões de Berlim, todas com obras do período. Porque estão condenadas ? Muitas explicam-se por si, são lixo meramente propagandístico do regime - retratos, cenas de guerra, etc) mas há muita coisa boa ali que um dia terá de ser reavaliada. Os alemães procuram hoje em dia banir de sua vida qualquer pensamento que lembre a noção de pátria, de povo alemão, de heroísmo, de nacionalismo, e nessa varredura para debaixo do tapete vão as antigas canções folclóricas, as marchas militares, a escrita em gótico, a arquitetura, os uniformes prussianos, (aliás tudo o que se relaciona com a Prússia), e acho sinceramente que com isso perdem parte de sua identidade histórica.
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Alquimista em 14/4/2019, 15:31


Seja bem-vindo, Siegfried!

_________________
Secretum Finis Africae: O Alquimista é o supremo alfa e ômega das Artes Transmutatórias Aurintelectuais.  A Trilha Sonora do Holocausto Alpha_11
Alquimista
Alquimista
Admin

Mensagens : 1701

Ver perfil do usuário http://mestredoconhecimento.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Alquimista em 14/4/2019, 15:36


Acontece, meu caro Siegfried, que o anti-semitismo é muito mais velho do que RICHARD WAGNER (e o próprio Nazismo), e este era anti-semita, anti-judeu e expressou isso por diversas vezes em sua vida.

Liszt, que era amigo dele, achava esse seu lado um absurdo. E justamente por Wagner ser precisamente um músico anti-semita que os Nazistas o elegeram como a música do Nazismo.

Nazismo refere-se apenas ao Partido Nacional Socialista de Adolf Hitler, que possuía ideais anti-semitas, mas, desde muito antes, desde a guerra da Prússia no século XIX, na Era de Wagner, o anti-semitismo estava em franco crescimento na Alemanha e em alguns países Europeus.

Leia mais sobre o Anti-Semitismo de Wagner em suas biografias, especialmente em WAGNER - UM COMPÊNDIO - Editora J-Z-E.

O que não compromete a obra de Wagner, para alguns que não misturam o teor da música com a parte humana do compositor.

Aos Judeus do Holocausto, isso é impossível de perdoar.

_________________
Secretum Finis Africae: O Alquimista é o supremo alfa e ômega das Artes Transmutatórias Aurintelectuais.  A Trilha Sonora do Holocausto Alpha_11
Alquimista
Alquimista
Admin

Mensagens : 1701

Ver perfil do usuário http://mestredoconhecimento.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por kbr em 14/4/2019, 15:45


Oh Alquimista, desta vez concordo contigo. Hitler deu o que o povo alemão há muito tempo desejava (mesmo antes de Wagner) - aniquilação dos judeus. Estava vendo alguns programas sobre nazismo (na televisão européia, toda semana passa alguma coisa sobre esta guerra), e achei um interessante e ao mesmo tempo abominável: como matar judeu da ''melhor forma''? Mostra todo os passos criados pelos alemães para aniquilar, de maneira rápida, o maior número de judeus possíveis (fuzilamento, dinamite, monóxido de carbono,...). Teve uma cena que o cara colocava alguns judeus numa pequena casa e ligava o cano de escape do carro na casa. Os depoimentos dos soldados alemães da época são assombrosos. Teve um cara, agora com mais de noventa anos, que todo dia fuzilava famílias inteiras de judeus próximos do buraco onde seriam enterrados. Desta forma era só empurrar os cadáveres no buraco que eles mesmos tinham aberto. Era mais fácil. Perguntado se ele sentia remorso pelo que fez, a resposta veio rápida: ''Não. Eram todos judeus'', fazendo uma cara de nojo no final.

Outro programa, agora com relação à música, trata da música interpretada no campo de concetração. Os generais pegavam alguns músicos judeus e faziam recitais de música erudita. O programa faz entrevistas com esses músicos. Apresentam histórias sobre compositores que morreram nesta guerra (e a música que eles fizeram na prisão). O quarteto para os fins dos tempos de Messiaen foi feito nestas condições. A interpretação deste quarteto num desses campos foi o ponto alto do programa, realmente de arrancar lágrimas.

Não podemos esquecer que muitos ciganos morreram nesses campos também, assim como doentes mentais, paralíticos, homossexuais,...
kbr
kbr

Mensagens : 52

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 14/4/2019, 16:15


Se nazista só se refere ao partido que nasceu nas cervejarias de Munique na década de 20 do século XX, como dizer que Wagner era um deles?

O que levou os nazistas à ascensão não foi o anti-semitismo, mas a maneira como os vencedores subjugaram a Alemanha após a vitória em 1918, impondo série de sanções humilhantes, ferindo profundamente a estima do povo, que acabou encontrando alento no discurso nacionalista do nazismo, tanto que após a derrota em 45 os aliados não repetiram a mesma política, ajudando a reconstrução e não a total derrocada da Alemanha como em 18, afim de não criar novos problemas. Nessa ideia se baseia todo o plano Marshall.

Wagner (Anti-semita) criticava os judeus, justa ou injustamente, por esses não terem apego à pátria alguma ao qual socialmente fazem parte, colocando acima sempre seus preceitos religiosos em detrimento dos ideais nacionais, aliás não só seus preceitos como seu dinheiro. Wagner seria hipócrita diante dos temas de suas óperas, se não se tivesse essa opinião.

Desde quando não concordar com algo, significa exterminar isso em campos de concentração? Algo por volta de milhões de seres humanos?

Em algumas das Biografias que vc se refere, cita algo referente a Wagner defender a "solução final"?

Porque judeus esclarecidos como Daniel Baremboin defendem e até interpretam Wagner em Tel-Aviv sob vaias e protestos? Porque são rechaçados por puro rancor, já que em nenhuma letra vc encontra referencia a matar judeus ou algo semelhante ao anti-semitismo.
Ao invés de assistirem filminhos do Spielberg e documentários de mesma índole e assumirem aquilo como absoluto para tudo que é germanico?

E se os cristãos fossem agir da mesma maneira? Lembra do episódio do Poncio Pilatos? Quem condenou à Cruz foram os Romanos? Quem Libertou Barrabás?

Isso não significa que ele defendia incinerar essas pessoas.

kbr, mas ai já começa uma discussão que sai do âmbito musical e concordo não tem a ver com esse tópico, como as alegações de que todo alemão sabia do que acontecia nos campos de concentração durante a guerra e apoiava, coisa realmente de puro rancor, imagina que os aliados só ficaram sabendo quando chegaram nos campos e presenciaram, como seria possível esconder do resto do mundo, dos serviços de espionagem se fosse algo conhecido em cada esquina da Alemanha, sem contar que o judeus de vários países como a França e Dinamarca que tinham forte presença da resistência foram exterminados também, ninguém vai dizer que a resistência francesa sabia de tudo...e por ai vai.
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 16/4/2019, 16:20


Este assunto (música no Terceiro Reich) me interessa profundamente, tanto que possuo uma boa bibliografia sobre a matéria. Como já pesquisei muito, resolvi repartir algumas coisas com vocês.
Acho que isso vai dar uma dinâmica bem legal ao tópico e muita gente vai descobrir coisas bem interessantes aqui sobre maestros, compositores, cantores, etc. Tenho inclusive vídeos de época e gravações históricas (por exemplo: o concerto gravado na noite anterior ao bombardeio da Philharmonie Haus em Berlin).
Então comecemos!
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 16/4/2019, 16:26


1933

30.01.33 - Hitler torna-se chanceler do Reich.

12.02.33 - Violenta campanha na imprensa contra Otto Klemperer, contratado pela Ópera de Berlin para reger um novo Tannhäuser. A campanha visava remover Klemperer da vida musical alemã.
(KLEMPERER era judeu, nascido em Breslau em 1885. Converteu-se ao catolicismo após visitar a catedral de Strasburg, num ato bem longe de qualquer oportunismo. Nos anos 20 dirige em Moscou e Leningrad. Uma Carmem memorável no Bolshoi. Rege Stravinsky , Hindemith, Milhaud, Janacek, apresentando estreias de muitos compositores contemporâneos. Em 1933, pouco antes de partir para os EUA, rege Bartok em Viena, com solo do próprio compositor no seu segundo concerto para piano. De 1933 a 1939 rege a OF de Los Angeles. Nacionalidade americana em 1940. Morreu eu 1973.)

06.03.33
FRITZ BUSCH, regente da Ópera de Dresden é forçado a cancelar ensaios como resultado da agitação dos nazistas. Ele se demite e vai para a Inglaterra e Argentina.
(Fritz Busch (1890-1951) - de 1922 a 1933 foi diretor da Ópera de Dresden. Premiére de "Intermezzo" de Richard Strauss (1924), "Doktor Faust", de Busoni (1925), "Cardillac" de Hindemith(1926). Deixa a Alemanha em 1933 e vai para Glyndebourne (1934-1939), onde se notabiliza por montagens de Mozart. Em 1945 vai para o Metropolitan, onde frica por quatro anos. Volta em seguida a Glyndebourne. Escreveu um livro de memórias em 1949. Três registros gravados de seus Mozart de Glyndebourne são documentos preciosos.)

11.03.33
Carl Ebert é removido de sua posição como Intendente da Ópera de Berlin, por sua oposição aos nazistas. O compositor Max von Schillings é apontado para seu lugar.
(MAX VON SCHILLINGS (1868-1933) - compositor e regente. Amigo de Richard Strauss. Produziu a première de Ariadne auf Naxos desse compositor. Sua quarta ópera, Mona Lisa (1915) fez muito sucesso com Maria Jeritza no papel principal. Em 1931 foi nomeado Presidente da Academia Prussiana de Artes. Em 1933 tornou-se Indentende da Ópera de Berlin. Faleceu logo em seguida. Mona Lisa teve uma récita recentemente em Karlsruhe (1984) com grande sucesso.)
(tem um filme da época, com Max von Schillings regendo a ouverture de Guilherme tell de Rossini, em 1932, na Ópera de Berlin.)

16.03.1933
Concerto com a Gewandhaus de Leipzig, a ser regido por BRUNO WALTER é cancelado por pressão do NSDAP local. Alguns dias depois Walter é forçado a resignar de um concerto com a Filarmônica de Berlin. RICHARD STRAUSS toma o seu lugar.
(BRUNO WALTER (1872-1962) - Berlinense, amigo e discípulo de Mahler. Fez a première de "Palestrina" de Pfitzner. Glyndebourne, Salzburg, Viena, Covent Garden, Berlin. Em 1933 deixa a Alemanha pela Áustria. Com a anexação, vai para a França e depois para os EUA. Metropolitan de 1941 a 1957. Livro de Memórias em 1947. Gravações memoráveis das sinfonias de Beethoven.)

21.03.1933
KURT WEILL deixa a Alemanha depois que uma peça de teatro de sua autoria é retirada da Ópera de Leipzig.
(KURT WEILL (1900-1950) - Nasceu em Dessau. Seu pai era Cantor de sinagoga. Já com 16 anos começou a compor peças para teatro musicado, paixão que o acompanharia por toda a vida. Estudou com Busoni e Schönberg. Sua primeira ópera longa, expressionista, "Der Protagonist" trouxe-lhe reconhecimento. Passou a trabalhar com Brecht, colaboração essa que virou um mito (Mahagonny, Die Dreigroschenoper, Happy End). Após muito sucesso em Paris e Londres, exilou-se nos EUA onde viveu até sua morte, 14 anos depois. Seu trabalho nos EUA foi no teatro musical (Broadway).)

23.03.1933
Hitler fala no Reichstag prometendo que "simultâneamente com a purificação política de nossa vida, o governo do Reich vai iniciar uma total purgação moral na corporação do país... A Arte vai sempre refletir a expressão e a reflexão da realidade de uma era... o respeito pelos homens do passado deve sempre ser forjado nas mentes de nossos jovens, deve ser sempre sua herança sagrada...".

01.04.1933
Hitler recebe um cabograma de músicos da América do Norte, incluindo Toscanini,Koussevitzky e Reiner, em que condenam sua política racial.

04.04.1933
A resposta do Führer é a proibição da emissão radiofônica das gravações de todos os signatários da mensagem.

07.04.1933
Leis que removem os não-arianos e dissidentes políticos de empregos em casas de ópera, orquestras estatais e conservatórios de música.

11.04.1933
Goebbels rejeita um apelo do maestro Wilhelm Furtwängler para não excluir músicos judeus da vida musical alemã, particularmente Bruno Walter e Otto Klemperer.
Fundação da Arbeitsmeinschaft Deutscher Musikkritiker, com o propósito de controlar a imprensa musical e erradicar todas as opiniões não interessantes ao regime.

25.04.1933
A Kfdk (Liga de Luta pela Cultura Alemã) é reconhecida pelo NSDAP (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) como única organização cultural da Alemanha.

17.05.1933
Franz Schreker perde seu cargo de presidente da Academia Prussiana das Artes.

23.05.1933
Arnold Schöenberg é demitido de seu cargo de professor na Academia Prussiana das Artes.

05.06.1933
RICHARD STRAUSS substitui Toscanini na regência do Parsifal em Bayreuth.


Última edição por Siegfried em 16/4/2019, 16:43, editado 1 vez(es)
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 16/4/2019, 16:28


(RICHARD STRAUSS - Nasceu em Munique, 11.01.1864. Aos 16 anos declarou que "dentro de 10 anos ninguém saberá quem é Richard Wagner". Depois tornou-se ardente wagneriano. A transformação decorreu após conhecer o compositor Alexander Ritter, compositor hoje esquecido. Sobre Ritter, Strauss declarou : " O conhecimento de Alexander Ritter, os seus sucessivos esforços e carinhosos estímulos fizeram de mim definitivamente um músico do futuro, ao revelar-me a importância da música e dos escritos de Wagner e Liszt; só a ele devo a compreensão destes dois mestres: ele indicou-me o caminho que agora posso seguir independentemente... A influência de Ritter foi como um furacão: obrigou-me a desenvolver o expressivo e o poético da música, seguindo os exemplos de Berlioz, Liszt e Wagner."
As relações de Strauss com o nazismo continuam até hoje a suscitar controvérsias. Minhas observações entretanto levam-me a crer que ele foi um pouco ingênuo ao aceitar o cargo de presidente da Câmara Musical do Reich, em 1933, (numa carta ele escreveu: " tinham-me dito que a Câmara precisava de um presidente e que eu deveria desempenhar essa função. Não era eu, por acaso, o primeiro músico da Alemanha ? Pensava poder servir nesse lugar não só os amigos do novo regime. Teria aceito esse cargo sob qualquer tipo de governo..."
Strauss foi ingênuo porque até o ultimo momento pensava poder separar a Arte da Política. Mas isso era impossível num regime como o hitlerista. Na verdade Strauss era conservador e apolítico, nunca foi anti-semita e nem nacionalista exacerbado. Stefan Zweig escreveu sobre ele que " por causa de seu egoísmo artístico, todo regime político lhe era indiferente".
Vejam que Strauss havia encarregado Stefan Zweig de escrever o libreto de uma de suas óperas, " A Mulher Calada" , estreada em pleno regime, em 1935, em Dresden. Strauss exigiu que se mantivesse o nome do libretista nos créditos, mas depois de 3 apresentações a ópera foi retirada de cena por pressão da Gestapo. Por causa disso Strauss caiu em desgraça.
Logo em seguida, a Gestapo descobriu uma carta em que Strauss dizia a Zweig que " não permitira a ninguém que interviesse em seus assuntos artísticos", pedindo então a Stefan Zweig que escrevesse um libreto para uma nova ópera sua, que seria estreada dali a dois anos e que " nessa altura os nazis já não estariam mais no poder...". Strauss foi então obrigado a demitir-se por "razões de saúde". Amedrontado (a esposa de seu único filho era judia), tentou reaproximar-se do regime e compôs o hino para os Jogos Olímpicos de 1936 e renunciou aos honorários e direitos de autor.
(ALGUÉM TEM UMA GRAVAÇÃO DESSE HINO ?)

STRAUSS ainda compôs durante a guerra "Dafne" (1938), "Dia de Paz"(1938), "Amor de Danae"(1944). A estreia desta última, prevista para 1944 em Salzburg, não se concretizou devido ao avanço dos soviéticos no leste. No último ensaio geral, antes da malograda estreia, Richard Strauss falou aos presentes, com lágrimas nos olhos, agradecendo e dizendo " até que voltemos a nos encontrar num mundo melhor...".
As relações de Strauss com o regime se tornaram mais e mais tensas, até que em 1943 impediram-no de sair do território do Reich. Em 1944, os membros do NSDAP foram proibidos de se relacionarem com ele. Os festejos de seus 80 anos foram inicialmente proibidos, mas depois, com a intervenção de Furtwängler, algumas de suas obras foram interpretadas. Nessa época gravou com a Orquestra Filarmônica de Viena a maior parte de suas obras, sendo que a maior parte desses registros desapareceu após a guerra. Após a guerra transferiu-se para a Suíça. Voltou para a Alemanha em 1949 e faleceu em 08.09.1949. Conforme sua vontade final, foi interpretado em seu funeral o trio final de "O Cavaleiro da Rosa".

07.06.1933
O regente Otto Klemperer é oficialmente desligado de seu posto na Ópera de Berlin.

20.06.1933
O regime encerra as atividades de agências de concertos judias.

29.06.1933
O Ministro das Ciências e Cultura aponta um comitê de 4 figuras exponenciais da música alemã para supervisionar concertos, assessorar associações musicais e, onde necessário, privilegiar a música alemã. Os 4 eram: Furtwängler, Schillings, Backhaus, Kulenkampf.

30.06.1933
Hitler determina que os assuntos culturais passem a ser organizados pelo Ministro da Propaganda (Goebbels).

01.07.1933
Estreia triunfante de "Arabella" de Richard Strauss, em Dresden. Apesar do fato de Hugo von Hofmannstahl , o libretista, ser meio-judeu, a ópera torna-se uma das mais queridas e mais frequentemente interpretadas na Alemanha nazista.
(tenho trechos da Arabella em vídeo)

25.07.1933
Fundada a Liga Cultural Judaica (Kulturbund deutscher Juden). O primeiro supervisor é Hans Hinkel.

02.08.1933
Fritz Kreisler, Arthur Schnabel,Pablo Casals e outros, recusam o convite de Wilhelm Furtwängler para tocar com a Filarmônica de Berlin na temporada de 1933/4.

17.08.1933
Cantores judeus são expurgados da Associação Alemã de Cantores.
(tenho um trecho do filme "Comedian Harmonists", que mostra um pouco da vida cotidiana alemã da época e a história desse famoso grupo de cantores, composto por 3 judeus-alemães e 3 alemães e que eram "pop stars" na época. Interessante é que eles sobreviveram até os anos 40, sempre fazendo sucesso, pois ao que parece, até o próprio Göering gostava do grupo. No início dos anos 40 o grupo foi dissolvido e os 3 membros judeus autorizados a emigrar para os EUA. Os dois lados separados tentaram reiniciar nova vida, nos EUA e na Alemanha, mas nenhum dos dois grupos prosperou.
(existe uma gravação dos Comedian Harmonists, que eram exímios cantores, famosos por suas transcrições " a capella" da abertura do Guilherme Tell de Rossini.)
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por sombriobyte em 17/4/2019, 04:05


Dizem que o compositor preferido de Hitler era Wagner. Certa vez li uma reportagem sobre um cara que fez um estudo da personalidade do líder nazista, e o cara chegou à conclusão de que Hitler gostava de Wagner e expunha sua preferência mais por conveniência do que por gosto mesmo...
Afirmava que a "arte" de Hitler era retrógrada e que Hitler não tinha conhecimentos musicais, logo, seu gosto por Wagner era superficial, visto que o ditador não compreendia a música do gênio.
Difícil de comprovar, mas eu, particularmente, concordo com essa idéia... jamais Hitler poderia dizer que seu compositor preferido era Mahler, pois estaria depondo contra suas teorias da superioridade da raça ariana, anti-semitismo e etc etc etc...

Mahler teve problemas com o anti-semitismo quando foi regente titular da Filarmônica de Viena, estava com 38 anos e acumulava a de diretor artistico da Ópera de Viena, o anti-semitismo imperava entre alguns musicos da orquestra.
Curiosamente, em 1897, estreou Lohengrin, de Wagner, coroada de êxito, com a Ópera de Viena!

Quando os judeus chegavam aos campos de concentração, Auschwitz, Belsen, Sobibor, etc. Havia uma orquestra de judeus tocando Haydn, Strauss (Johann), Mozart. Tocar na orquestra significava um dia mais em suas vidas e uma ração reforçada de batatas. Os generais do estado maior hitleriano ouviam Wagner em suas reunioes de preparação bélica.

Outro compositor que se beneficiou indiretamente do nazismo, embora não fosse tão simpatizante assim, foi o Hans Pfitzner, compositor de Palestrina. Ele tinha carro oficial à disposição, bem como uma pensão para seu filho excepcional.
É bem verdade que ele e Goebbels entraram em conflito, mas mesmo assim foram mantidas as benesses pelo próprio Hitler, que o julgava de aparência "semítica".
Para maiores referências, sugiro o excelente e indispensável "A Ópera Alemã" do Lauro Machado Coelho.

Sobre o Richard Strauss, ao que eu saiba, era inicialmente simpatizante, inclusive ocupando o cargo de Presidente do Reichsmusikkammer, até a época da estreia de Die Schweigesame Frau, em 1935. Goebbels, na ocasião determinou que o nome do libretista, O Stefan Zweig, fosse apagado dos cartazes da ópera. Este, por sinal, veio para o Brasil e aqui suicidou-se (Zweig escreveu um belo livro sobre nossa terra, ''Brasil, País do Futuro'') Strauss era casado com a cantora Paulinne de Hanna que era sobrinha de um importante rabino chefe da comunidade liberal de Frankfurt e um dos redatores do Rinheitsgebetesbuch ou livro de reza unificado, adotado por todas as sinagogas liberais atualmente. A nora de Strauss e, consequentemente, seus dois netos eram judeus e ele fez com que escapassem dos nazistas fugindo para Suíça.

No livro de Norman Lebrecht "O Mito do Maestro" defende-se a tese de que Karajan, Fürtwangler e Böhm desfrutaram, com intensidades variadas, as benesses do governo nazista.
Obviamente, o objetivo de Lebrecht é mais causar polêmica do que qualquer outra coisa... afinal, até que ponto importam as crenças políticas de alguém quando este alguém está "fazendo música"? Da mesma maneira que poderíamos pensar que "de que me importa se Fulano é marginal se ele marca 2 gols por partida quando exerce sua profissão?"
Mesmo assim, se quisermos analisar as questões políticas inerentes às vidas particulares de gente ligada à música, devemos considerar (no caso específico do Nazismo) até que ponto tais músicos tinham conhecimento das atrocidades perpetuadas por Hitler e seus coleguinhas. É fato que músicos da Filarmônica de Viena continuaram tocando com suas braçadeiras nazistas mesmo após alguns de seus pares (incluindo o spalla!) terem sido enviados para "campos de trabalho" (sic) pelo simples fato de serem judeus.
Enfim, há muito o que se pensar...

Sobre o Partido Nacional-Socialista, pode se dizer que o foi fundado em 12 de setembro de 1919, em uma cervejaria de Munique. Hitler era o número 7 da lista de inscritos. Já o Mein Kampf data de 1923 aproximadamente, quando Hitler ficou preso por subversão, depois do "golpe da cervejaria", ocorrido em 1o. de novembro daquele ano.
Durante a guerra ele foi internado em duas ocasiões. No decorrer da segunda, em que quase ficou cego por efeito de gases tóxicos, a Alemanha capitulou, o que o levou a um grande sentimento de revolta.
Ele recebeu por conta disso, uma Cruz de Ferro de segunda classe.
A gente já sabe onde foi acabar tudo isso...

sombriobyte

Mensagens : 477

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Gigaview em 17/4/2019, 09:28


O nazismo é anterior o 1911, 1933 pois o sentimento de superioridade ariana vem de muito antes disso e se fortalece quando Bismarck reunifica a alemanha, o que acontece em 1933 é que surge um partido o nacional socialista NSDAP que incorpora essas ideias de superioridade as suas ideias e programas politicos criando assim uma politica de ódio aos judeus, em seu livro Adolf Hitler na primeira parte onde ele relata a sua vida ele conta que na época da escola havia um professor de história que ensinava aos alunos o mito da superioridade austríaca e que todos os alunos deveriam criar consciencia para lutar contra uma Áustria dominada por outros povos como os eslavos etc que se encontravam no parlamento austriaco, provando assim que as ideias do nazismo não surgem com Hitler elas vem de muito antes e mais o que surge com o hitler é uma perseguição aos judeus.

_________________
Love it or Hate it
Gigaview
Gigaview

Mensagens : 77
Localização : Niterói / RJ

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Alquimista em 17/4/2019, 13:50


O excelente livro de Barry Millington ''Wagner, um compêndio'' traz os aspectos da história da Alemanha e que teriam influenciado o anti-semitismo de Wagner, aliás não só dele como de tantas outras personalidades. É algo muito interessante pois remonta muitos e muitos anos antes do que pretensamente seria a origem de tudo.

Ainda sobre o compositor, ele era político e tinha atividades políticas, e era adepto ao ideal de superioridade alemã.

_________________
Secretum Finis Africae: O Alquimista é o supremo alfa e ômega das Artes Transmutatórias Aurintelectuais.  A Trilha Sonora do Holocausto Alpha_11
Alquimista
Alquimista
Admin

Mensagens : 1701

Ver perfil do usuário http://mestredoconhecimento.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 17/4/2019, 14:22


Em Israel houve e ainda há uma verdadeira censura quanto a Mahler e Richard Strauss, por parte dos ortodoxos!! Pessoalmente acho isso uma tolice. Alguém que compôs como eles compuseram não se pode chamar de nazista.
Mahler era judeu e sempre assumiu essa condição, mesmo depois de se converter (Mahler se converteu ao cristianismo em 1897 para assumir a direção da Ópera de Viena).

Já Strauss era muito pragmático para se deixar levar por convicções políticas. Li uma vez um depoimento dele em que ele falava que nem o Império nem a República de Weimar quiseram saber dele. Quando os Nazi assumiram e o convidaram, ele teve a melhor posição que podia querer.
(Dizem que logo após o término da Segunda Guerra, as tropas aliadas chegaram na casa de Richard Strauss e questionaram quem ele era, o que ele respondeu:
- Sou o compositor de "Der Rosenkavalier"!
Se puderem, assistam o filme "Taking Sides, o caso Fürtwangler" sobre o processo de desnazificação do maestro. Muito legal!)
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 17/4/2019, 14:31


CONTINUANDO...

1938

10.02.1938
Após uma estreia de sucesso na Ópera de Dresden, "Die Wirtin von Pinsk", de Richard Mohaupt é banida, após as autoridades descobrirem que a esposa do compositor era judia.

09.03.1938
A RMK proíbe aos arianos darem aulas a judeus.

19.05.1938
Dissolvida a Associação Alemã de Editores de Música.

24.05.1938
Primeiro Festival de Música organizado pelo Ministério da Propaganda. Início da Exposição de "Entartete Musik" (música degenerada) em Düsseldorf.

29.05.1938
Instituído um concurso nacional de jovens pianistas e violinistas, com uma premiação de RM 10000.

11.06.1938
2 meses após a anexação da Áustria, todas as entidades musicais austríacas são englobadas na RMK alemã.

24.07.1938
Estreia de "Friedenstag", uma ópera pacifista de Richard Strauss.

24.11.1938
Estreia da ópera Peer Gint de WERNER EGK, na ÓPera de Berlin. Inicialmente criticada. recebe depois os bons olhares de Hitler.

1939

05.01.1939
Estreia "Der Mond" de Carl Orff em Munique.

21.05.1939
Werner Egk ganha o primeiro prêmio nacional de composição, instituído por Goebbels.

14.07.1939
Abertura do Festival de Artes em Munique.

1940

01.02.1940
A música de STRAVINSKY é banida do território do Reich.

15.04.1940
Sai a segunda lista de músicas condenadas pelo regime (Entartete Musik)

14.06.1940
tomada de Paris pelas tropas alemãs.
(tenho algumas cenas de Paris na época, com tanques desfilando, Winifred Wagner em visita à capital francesa e trechos de um concerto em Paris, regido por Karajan.)

01.09.1940
Joseph Goebbels aponta JOSEPH KEILBERTH como regente da recentemente estabelecida Orquestra Filarmônica Alemã de Praga.


1941

15.01.1941
Estreia do famoso Quarteto para o Fim dos Tempos, de OLIVIER MESSIAEN, no campo de concentração Stalag VIII, na Silésia.
Recentemente saiu um livro nos EUA - "For the End of Time - The Story of the Messiaen Quartet", pela clarinetista Rebecca Rischin (Editora da Cornell University), onde alguma coisa da lenda que cerca essa performance é desmistificada. Messian, ele próprio alimentou as histórias e, com os testemunhos de algumas das pessoas presentes ao recital e ainda vivas, certas inverdades são agora corrigidas. Por exemplo, não foram 5000 pessoas presentes ao imenso barracão transformado em enorme auditório e simk em torno de 200 a 400. Messian sempre falou muito que o violoncelo tinha apenas 3 cordas, mas seria impossível tocar a peça dessa maneira. Mas o próprio violoncelista que tocou a peça declara à autora do livro que " eu mesmo fui à cidade de Görlitz, com um guarda, para comprar um violoncelo novo, arco e encordoamento, com 65 marcos arrecadados entre os prisioneiros. E toquei sim com as 4 cordas..."
Mas, pergunta-se, como prisioneiros de um campo de concentração nazista se davam esses prazeres de compor e interpretar música ? Ocorre que o comandante do campo, capitão Karl-Brüll, que era tido como antinazista, era amante da música e, pelo jeito, muito longe daquele estereótipo de guarda nazista que vemos no cinema. É verdade que o STALAG VIII não era um campo para a "solução final" e sim daqueles destinados a prisioneiros de guerra e adversários do regime, onde, eventualmente poderia haver algum judeu. Dos 4 músicos que interpretaram o quarteto, apenas um era judeu. Messiaen havia sido preso em 20.06.1940 e foi libertado em fevereiro de 1941, tendo pego o rigoroso inverno na região. Os músicos tinham tratamento especial e acesso a uma biblioteca com 6 mil livros. Após a saída de Messiaen continuaram funcionando no campo uma orquestra com 24 músicos, um jornal, exposições de artes plásticas e, pasmem: uma jazz-band. Haha, o comandante se arriscava ele próprio a ser internado no Stalag ! Como se sabe, Goebbels, Hitler e Goering, a trilogia sagrada do nazismo, odiava qualquer referência ao jazz, para eles o supra-sumo da Entartete Musik (música decadente).
(A maioria desses dados eu obtive em reportagem do Estadão, autoria de João Marcos Coelho(04.04.2004)- Meu reconhecimento a ele.

01.04.1941
Semana de Música contemporânea em Viena

??.05.1941
Estreia do Tristão e Isolda em Paris, com a Ópera de Berlin, a grande wagneriana Germaine Lubin, Max Lorenz e a regência de Karajan.

15.05.1941
Terceira lista de música decadente.

ENTARTETE MUSIK (música decadente): quem eram os compositores e suas obras ?

Uma grande parte dos compositores era de origem judia, dentre os quais muitos emigraram da Alemanha já na primeira fase do nazismo: Schönberg, Weill, Eisler, Toch, Wolpe, Rathaus, Vogel...
Outros tentaram se acomodar ao novo regime mas não conseguiram, como Hindemith, Max Butting e Heinz Tiessen. Karl Amadeus Hartmann, apesar de não ser judeu, teve suas obras vetadas pelo regime por abertamente não ter se comprometido com os nazistas. Suas composições dessa época refletem um certo desafio às normas vigentes: um quarteto de cordas sobre temas judaicos, um poema sinfônico "Miserae", executado em Praga em 1935 e dedicado às "vítimas da opressão nazi"... (uau, o cara tinha colhões!).

A exposição de "Entartete Musik" tinha vitrolas disponíveis para o público, com discos para audição.
Partituras também estavam disponíveis, dentre as quais:
SCHÖNBERG - Songs, Sinfonia de Câmara nr 1, Eine Abrechnung.
STRAVINSKY - Histoire du soldat, '
HINDEMITH - Sancta Susanna, Mörder, Hoffnung der Frauen, Cardillac, viola concerto, piano suite 1922...
WEILL - Dreigroschenoper, Der Jasager,Mahagonny, Lindberg Flug...
KRENEK - Johnny spielt auf!, Neue Orpheus, Sprung über dem Schatten, Sinfonias 2 e 3...
SCHREKER - Die gezeichneten, Irrelohe, Der ferner Klang...
EISLER - Kühle Wampe
BERG - Wozzeck, Lulu, Violin KOnzert, 3 Peças orquestrais...
RATHAUS - Sinfonia nr 2, as 4 danças orquestrais...
HAUER - 12 composições tonais, suites 6 e 7
TOCH - Die Prinzessin auf der Erbse, Döblin Kantate, Das Wasser, Sinfonia para piano e orquestra...
SEKLES - Die Hochzeit des Faun
REUTTER - Der neue Hiob...
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 17/4/2019, 14:34


Uma estatística interessante que consegui:

AS ÓPERAS MAIS POPULARES NO TERCEIRO REICH

a lista contempla a obra e o número de performances na Alemanha no período (não se assustem com o número, é isso mesmo).

tenho dados de dois períodos: 1932/3 e 1938/9:

1932-1933

CARMEN - 373
DER FREISCHÜTZ - 306
DER FLIEGENDE HOLLÄNDER - 304
TANNHÄUSER - 274
DIE MEISTERSINGER - 262
LOHENGRIN - 252
RIGOLETTO - 249
TIEFLAND - 238
MADAMA BUTTERFLY - 234
LA BOHEME - 228
MARTHA - 220
FIDELIO - 206
IL TROVATORE - 203
HOFFMANN'S ERZALUNGEN - 197
UNDINE - 197


1938-9

I PAGLIACCI - 354
CAVALLERIA - 352
MADAMA BUTTERFLY - 317
SCHWARZER PETER (SCHULTZE) - 298
ZAR UND ZIMMERMANN - 288
NOIVA VENDIDA - 270
WAFFENSCHMIED (LORTZING) - 269
IL TROVATORE - 267
CARMEN - 266
DER FREISCHÜTZ - 249
LA BOHÈME - 238
LOHENGRIN - 236
LA TRAVIATA - 232
BARBIERE DI SIVIGLIA - 232
DER ROSENKAVALIER - 230


HEHE, dá o que pensar, não ?
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por sombriobyte em 18/4/2019, 00:42


Karajan foi membro do partido nazista. E virou estrela da mídia.
A regra geral era se inscrever no partido para não ter problemas. Foram muito poucos os que não pediram a carteirinha. Nos primeiros tempos, gloriosos, era muito fácil ser levado pela onda de patriotismo e ufanismo geral.

Furtwängler nunca foi do partido, se recusava a saudar Hitler quando regia a Fialrmônica, e ficou sem poder reger um tempão depois da guerra, até ser "desnazificado", com a ajuda de Menuhin e outros (Existe um filme sobre a ''desnazificação'' de Furtwängler).
A grande "culpa" de Furtwängler foi permanecer na Alemanha durante o Terceiro Reich, enquanto todo mundo que desaprovava o regime foi embora.


Última edição por sombriobyte em 18/4/2019, 01:28, editado 1 vez(es)

sombriobyte

Mensagens : 477

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por sombriobyte em 18/4/2019, 01:02


Gigaview,

Não é bom confundir anti-semitismo com nazi-fascismo.
O anti-semitismo era coisa generalizada na Europa e fora dela até a Segunda Guerra Mundial. Muita "gente boa" nos meios artísticos e intelectuais compartilhava, em alguma medida, de ideias anti-semitas. Mas entre isto e a "Solução Final" há uma considerável distância. Em alguns meios, especialmente na alta burguesia e na aristocracia europeia, duas classes que às vésperas da Primeira Grande Guerra quase se confundiam, ser anti-semita era coisa de muito "bom tom", quase uma forma de bom-senso. Wagner levou a fama somente porque sua música foi glorificada pelos nazistas, mas nem de longe ele era uma exceção.
Quanto a Mahler, ele foi poupado pela morte de conhecer o nazismo. Como foi dito, aceitou converter-se ao Catolicismo simplesmente porque na Áustria, onde, como dizia Metternich, "um homem começa com um título de barão", ser plebeu já se constituía peso por demais excessivo para o Diretor da Ópera Imperial para que ele ainda se permitisse o luxo de se conservar um judeu... Assim eram os tempos...
Até as criancinhas sabem que a "simpatia" de Strauss, Orff e Von Karajan pelo regime hitleriano era puramente pragmática, instrumental. Há artistas que são como policiais, servem a qualquer regime... Mas que eles mamaram, mamaram sim senhor!

sombriobyte

Mensagens : 477

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por sombriobyte em 18/4/2019, 01:07


Siegfried,

A evolução deste tópico está impressionante! Parabéns.

Assisti um filme sobre o período em questão que mostra uma turma de garotos que gostavam de jazz e eram conhecidos como garotos Swing. Com a repressão nazista e a juventude hitlerista proibindo qualquer tipo de diversão que não fosse autorizada pelo estado, esses garotos foram obrigados a entrar para a juventude hitlerista. Um deles nega a ideologia nazista e outro é completamente domado pelas ideais do nazismo. Caro Siegfried, sabes alguma coisa sobre essa moda de jazz e swing na Alemanha dos anos 30?
Alguém conhece a ópera citada nas estatísticas acima, Undine, comprei ela tempos atrás e nunca ouvi?

sombriobyte

Mensagens : 477

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por sombriobyte em 18/4/2019, 01:22


Siegfried,

Pra você que gosta de listas, então um "presentinho" de agradecimento por esse trabalhão que você está tendo:
A Ópera de Viena foi usada durante o nazismo como palco de comemorações do regime (apresentações festivas em homenagem a visitas de Göring, aniversários do Hitler, jubileu do reich, feriados nazistas etc, etc). Foram 251 apresentações entre 27.3.1938 e 26.6.1944, o que equivale a quase uma saison inteira da staatsoper.
Eu separei as óperas apresentadas nestas "sondervorstellungen", numa lista das mais tocadas para observar os critérios nazistas na construção do programa. O resultado é que os critérios são simplesmente populistas (apresentando óperas italianas fáceis, de apelo popular - Tosca, Barbeiro, Don Pasquale, Traviata - nos casos de apresentações para associações populares como kraft durch freude e hitlerjugend), ou mesmo pessoais, como no caso da ópera mais executada "Tiefland" de d'Albert que era a ópera preferida de Hitler. As grandes "obras germânicas" - Fidelio, Meistersinger e cia. - ficaram reservadas a apresentações para a elite nazista.
Aí a lista das óperas com o respectivo número de apresentações:
Tiefland 17
Don Pasquale 16
Fledermaus 15
Ballett, Waffenschmied, Tosca 14
Fliegende Holländer, Verkaufte Braut, Traviata 11
Barbiere 10
Pagliacci / Cavaleria 9
Entführung, Butterfly 8
Fidelio, Meistersinger, Rosenkavalier 7
Bohéme, Nacht in venedig, Il Quatro Rusteghi 6
Freischütz, Les Dragons de Villard 5
Ariadne, Figaro, Zauberföte 4
Lohengrin, Rheingold, Zigeunerbaron, Aida, Königskinder, Rigoletto 3
Lustige weiber, Tristan, Siegfried, Schwarzer Peter, Don Giovanni, Trovatore, Orfeo und Euridice, Turandot 2
Hänsel und Grätel, Notre Dame, J. Onegin, I. S. Tarassenko, Salome 1  

Sabe-se hoje que a maior parte dos nazistas detestava a boa música, eles iam aos concertos por dever de ofício e batiam palmas sem nada entender... (não se pode esperar muito de um bando de bandidos ignorantes). Há uma história, depois eu descubro os detalhes, de uma récita em Bayreuth só para convidados especiais do Reich e que para quase todo mundo foi um tédio...

sombriobyte

Mensagens : 477

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Eugene Hector em 18/4/2019, 11:51


Apesar do excelente nível das discussões e dos participantes deste forum, acho esta discussão extremamente estéril...o que a música tem a ver com tudo isso? A patrulha ideológica que sofreram os músicos alemães - como aliás de todos os regimes e ideologias derrotados pela Nova Ordem Mundial americano-sionista, foi lastimável, uma página negra na história da música.
A arte está acima de tudo: dos homens, dos partidos, das ideologias e dos interesses.
Isso tudo me faz lembrar João Saldanha que, ao ser avisado de que um jogador do qual ele gostava era boêmio, mulherengo, etc, respondeu "Quero ele para jogar no meu time, não para ser meu genro."

_________________
Alea jacta est
Eugene Hector
Eugene Hector

Mensagens : 60

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Alquimista em 18/4/2019, 12:40


Eugene, nada contra ouvir música pela música, é uma opção sua, válida, cada um tem seu estilo de vida. Mas não chame nosso tópico de estéril... Esterilidade é não se interessar pela história das coisas. Ou você não concorda que é muito mais interessante ouvir música sabendo a história, conhecendo a vida dos autores, sabendo o porquê das coisas...
Você não se interessa mesmo por história da música?
Felix qui peruit rerum cognoscere causa: Feliz aquele que pode perscrutar a causa das coisas.

_________________
Secretum Finis Africae: O Alquimista é o supremo alfa e ômega das Artes Transmutatórias Aurintelectuais.  A Trilha Sonora do Holocausto Alpha_11
Alquimista
Alquimista
Admin

Mensagens : 1701

Ver perfil do usuário http://mestredoconhecimento.forumeiros.com

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 18/4/2019, 13:49


Caro Eugene Hector,

deixe-me discordar de vc nesse ponto. A música durante o nazismo foi incorporada à máquina de propaganda do regime e da ideologia nazista, sobretudo quanto ao nacionalismo e à suposta superioridade ariana. Vc tem um lindo lema - "a arte acima de tudo" - mas ele tb pode levar a uma certa ingenuidade... Parece que era esse o credo de Furtwängler, e de repente ele se viu, como artista, à sombra do Estado totalitário, um Estado que se punha muito acima da arte. A decisão de abandonar a Alemanha, tomada por muitos músicos, inclusive não-judeus, deve ter significado um golpe para o regime, não é possível que um artista não tenha nada a fazer, politicamente, quando a coisa chega ao ponto em que chegou logo após a ascensão do nazismo. E há um problema aí que vai muito além das ideologias: existe uma forma artística pura, neutra, apolítica? Não acredito...

Um abraço,
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 18/4/2019, 13:51


Caro, sombriobyte,

Obrigado. O legal é quanta coisa se pode depreender, descobrir através da simples e seca estatística.

Interessante que quase não se fala hoje da Tiefland.
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Siegfried em 18/4/2019, 13:53


Amigos,

pelo que sei, a relação entre o Karajan e o Furtwängler era um querendo comer o fígado do outro. Mas o Furt teve alguns atos de coragem impressionantes. Ele devia saber exatamente o limite do poder de um grande maestro naquele regime, e fazia questão de se servir desse poder até esse limite. Não saudar Hitler, preservando um cerimonial pré-nazismo (portanto burguês) na relação entre o maestro e a plateia, não era pouco. Parece que o Karajan era bem menos escrupuloso (se é que não era de fato um militante convicto). Mas tb deve ser verdade que, se não deixou a Alemanha, Furt devia ter alguma confiança no nazismo. O que não elimina um fato incontornável: aquelas gravações de Beethoven com ele e a BPO dos anos quarenta, entre tosses importunas que lembram até a Sala São Paulo, são maravilhosas; o ralentamento dos tempos é exasperante, e quando pensamos que vai desandar tudo já estamos mergulhados na música até o fundo da alma. É assim com a quinta e com a sétima, por exemplo, que na minha opinião são impecáveis com a BPO. Acho essas gravações fascinantes e assustadoras: sempre que as ouço fico me perguntando se esse sublime confina com o nazismo em alguma coisa, que nos fisga sem que o percebamos.

Abraços antifascistas,
Siegfried
Siegfried

Mensagens : 182

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

A Trilha Sonora do Holocausto Empty Re: A Trilha Sonora do Holocausto

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 1 de 4 1, 2, 3, 4  Seguinte

Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum