Lendas interessantes!

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Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 18/2/2017, 21:31

Zêuxis e Parrásio: duelo de pintores na Grécia antiga

“Juro por todos os deuses que não daria a beleza por todo o poder do rei da Pérsia”

A frase acima é atribuída a Xenofonte, um dos discípulos de Sócrates, e é bem representativa da relação que os gregos tinham com o prazer visual naquele período.
É curioso notar que a pintura grega não foi tão expressiva quanto outras formas de arte, como a escultura ou a arquitetura. Ao contrário, ela era considerada uma arte menor. Surgiu das mãos dos artesãos, principalmente, ornando vasos. Somente mais tarde, quando o afresco e a têmpera se aperfeiçoaram, o público começou a lhe dar certo valor.
Patrocinada por vários governos, surgiam representações de episódios homéricos e da Guerra de Tróia. Polignoto de Taso foi tão competente que recebeu de Atenas uma altíssima recompensa: a cidadania. Outro pintor, Paneno, inventor do “retrato”, causou êxtase nos observadores de seu afresco, onde os personagens da “Batalha de Maratona” podiam ser facilmente reconhecíveis.
Mas, naquele ponto, as obras ainda possuíam sérios problemas em relação à aplicação prática dos estudos geométricos tão dominados pelos escultores. Levou algum tempo até que os rígidos padrões de beleza da época fossem absorvidos pelos artistas e a pintura passasse, também, a primar pelo realismo e domínio das técnicas.
Foi Agatarco, cenógrafo de Ésquilo e Sófocles, quem conseguiu compreender, enfim, o jogo de claro-escuro sobre o qual já existiam extensos tratados. Apolodoro, o “pintor de sombras”, alcançou tal excelência que recebeu de Plínio um respeitoso elogio: “Foi o primeiro a representar os objetos como realmente aparecem.”
Estava inaugurada ali a época dourada das Quadrienais gregas, concursos e disputas entre os pintores, sempre visando o deslumbre do público e júri com demonstrações quase atléticas de representações do belo ideal.
Numa dessas disputas, surgiu um personagem bastante singular. Trazia cavalete, pincéis e tintas e vinha envolto em uma luxuosa túnica, onde seu nome, Zêuxis de Heracléia, reluzia, costurado em ouro. Agatarco, o cenógrafo já citado, logo o desafiou a improvisar um afresco, para ver quem terminava primeiro. Zêuxis respondeu: “Tu, certamente, pois podes assinar qualquer garatuja. Minha assinatura é só para obras-primas”. Foi, então, apresentando suas obras, distribuindo-as aos governos, ministros e deputados. Diante da surpresa geral, ele alegou que seus trabalhos eram “fora de prêmio”, porque nenhuma soma seria suficiente para Pagar seu valor.
Os atenienses, envolvidos pelas atitudes daquele novo e imodesto gênio, definiram sua chegada como um “acontecimento” e convidaram-no para se estabelecer entre eles. Zêuxis, embora tivesse aceitado o convite, manteve seus modos altivos. Falava a quem quer que fosse com superioridade, diminuía e ignorava seus rivais.
O mais ilustre deles, Parrásio de Éfeso, proclamava a sim mesmo “o príncipe dos pintores”. Usava sempre uma coroa e, quando adoecia, pedia aos médicos que o currassem “porque a Arte não suportaria o golpe de minha morte”. No entanto, Parrásio era conhecido também por sua cordialidade, por seu temperamento alegre e brincalhão, pelo seu constante assobio e as anedotas que contava aos muitos amigos que o cercavam.
Começava entre os dois uma luta ferrenha pela supremacia. Parrásio dizia zombarias e fazia caricaturas de Zêuxis. Zêuxis, por sua vez, espalhava rumores de que o rival comprava escravos e os torturava, no intuito de estudar suas contorções sob o chicote. Tal situação rumou rapidamente para um clímax, quando os dois concordaram em apresentar-se diante de uma comissão que decidiria quem era o melhor.
Zêuxis retirou o tecido que recobria seu quadro e expôs uma natureza morta, representando cachos de uva. Eram tão “reais”, que um bando de pássaros se atirou sobre a obra, para comer os frutos. Os juízes gritaram de entusiasmo. Já certo de sua vitória, ele convidou o adversário a retirar, também, o pano que cobria seu trabalho. Foi com muita surpresa que Zêuxis, assim como todo o júri, perceberam que o próprio pano era só pintura.
Finalmente esboçando algum traço de modéstia e cavalheirismo, Zêuxis declarou-se vencido e deixou Atenas a seu aclamado rival. Retirando-se para Cróton, viveu algumas outras histórias, às quais valem muito a pena uma visita, em algum outro momento, adiante.


Fonte: http://sistema-nerd.blogspot.com.br/2010/07/zeuxis-e-parrasio-duelo-de-pintores-na.html
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 19/2/2017, 02:24

The Book Test:

''Costuma-se dizer que as coisas boas vêm em pequenos pacotes. Foi o que aconteceu quando o jovem neto de Ramsés provou ser o maior mágico do Egito.
Se-Osíris era filho de Setna, um grande escriba. Setna era filho de Ramsés e serviu o Faraó.
Em um dia quente e empoeirado, quando o vento estava soprando do deserto, um estranho, de estatura alta, foi trazido para a fresca sala do trono de Ramsés. O homem era orgulhoso, mas se via que era pobre pelas vestes marrons empoeiradas.
Ele, em sinal de devoção, curvou-se perante o Faraó e disse:
- "Ó, Rei do Egito, eu venho do Sul onde os mágicos são fortes e poderosos. Eu fui enviado pelo meu rei para desafiar seus mágicos e provar que eles são fracos e não podem ser comparados com os do Sul."
O homem então estendeu a mão, mostrou um rolo de papiro selado que trazia consigo e disse:
- "Eu desafio todos do Egito para que leiam o que está sobre este rolo, mas sem quebrar o selo. Se ninguém puder aceitar o meu desafio, voltarei para meu rei e dir-lhe-ei que a mágica do Egito é fraca."
Ramsés fitou o mágico do Sul e disse aos guardas que escoltassem o homem para os aposentos de hóspedes, enquanto ele iria consultar seus nobres e conselheiros.
Quando o homem já havia sido escoltado para fora do salão, Setna virou-se para Ramsés e disse:
- "Faraó, quando reunires novamente seu Conselho, trarei um mágico que poderá aceitar o desafio do homem do Sul e mostrar que os mágicos do Egito são os mais poderosos".
Mas Setna ficou preocupado em ter que procurar pelo reino um mágico poderoso. Quando Setna sentou-se à sombra fresca em seu jardim para planejar a tarefa, seu filho Se-Osiris chegou ao seu lado. Setna contou a Se-Osiris sua missão e foi surpreendido quando seu filho riu de sua história.
- "Se-Osíris, por que é que você ri enquanto eu estou tão preocupado?"
Se-Osiris respondeu:
- “Não se preocupe, pois irei ler o papiro sem violar o selo, humilhando este estranho homem e seu Rei do Sul".
Setna não duvidou do filho e ficou orgulhoso, mas propôs que Se-Osiris provasse seus poderes, selando um dos papiros de seu expediente diário e entregou-o ao filho. Para deleite de Setna, Se-Osiris leu as palavras do papiro como se tivessem sido escritas em sua presença.
No dia seguinte, quando o Faraó convocou sua corte, Setna trouxe Se-Osiris para sentar-se ao lado dele. Quando o homem do Sul foi trazido para o salão, o Faraó chamou Setna para que enfrentasse o desafio do homem.
Setna levantou-se e disse:
- "O desafio deste homem não passa de uma mera brincadeira de criança para os Mágicos do Egito. Eu não teria problemas em trazer o Mágico Mestre, mas em vez disso trago meu filho, Se-Osiris, para ler o papiro.
Se-Osiris se adiantou e fitou os olhos do homem do Sul e, após alguns instantes, virou-se para o Faraó e começou a dizer-lhe o conto que estava escrito no papiro selado.
- "Faraó, é uma narrativa de honra e insulto a um Faraó do passado. Uma vez um mágico do Sul se vangloriou que ele podia humilhar o Faraó do Egito, tendo o Rei escutado o que ele tinha a dizer e disse-lhe para que fizesse bom proveito de usa pretensão.
Naquela noite, o mágico invocou todos os seus poderes e enviou quatro entes fantasmagóricos portando uma maca para a beira do Rio Nilo, no quarto que o faraó dormia, sequestrando-o e trazendo-o à presença do mágico. O mágico e o rei imobilizaram o Faraó e levaram-no para frente do Palácio, proclamando que ali estava a prova de que o Faraó do Norte era fraco. Em seguida, passaram a agredir o Faraó com bastões, causando várias lesões, mas sem matá-lo, pois a pretensão era apenas humilhá-lo. Antes do amanhecer, o mágico determinou que os entes fantasmagóricos voltassem ao Nilo e deixassem o Faraó de volta em sua cama. Quando o Faraó acordou na manhã seguinte percebeu que seu pesadelo tinha sido real, o que as lesões nas costas o provavam.
O Faraó então chamou o principal mágico, contou-lhe o ocorrido e determinou que o Rei do Sul e seu mágico pagassem na mesma moeda, determinando, ainda que fosse assegurado que o Faraó não passaria por novas humilhações.
Enquanto Se-Osiris narrava o teor do conto, o homem do Sul engasgou e confirmou que realmente era aquela história que estava escrita no papiro, dirigindo-se à porta.
- "Detenham-no!", ordenou Se-Osiris, “Ainda há mais!”
O mágico egípcio consultou-se com o sacerdote do Deus Ptah e dormiu naquela noite no altar para adquirir a sabedoria de Ptah, retornando no dia seguinte para o salão do Faraó.
Quando descobriu que o Faraó não tinha sido novamente importunado em seu sono, o mágico ficou satisfeito e quis assegurar-se que aquilo não aconteceria novamente. Naquela noite o mágico proferiu palavras de grande poder em torno do leito do faraó e quando os portadores fantasmagóricos com a maca apareceram, o mágico viu que vacilavam e ficaram agitados com os feitiços que protegiam o local. Logo os entes desapareceram e o Faraó dormiu tranquilamente durante toda a noite. Na noite seguinte o mágico egípcio criou sua própria trupe de entes fantasmagóricos e esta trouxe o Rei do Sul para o salão do Faraó, onde o Faraó o amarrou e o espancou. Por quatro noites o Rei do Sul foi trazido perante o Faraó e a cada noite sofreu a mesma humilhação na corte do Faraó. E todo dia o Rei do Sul chamava seu próprio Conselho de Mágicos para impedir que o Faraó levasse-o, mas os mágicos do Sul falharam.
Em sua fúria, o Rei do Sul amaldiçoou seu mágico a vagar pela Terra até que provasse existir magia maior que a do Egito."
O homem do Sul então passou a lutar com os guardas do Faraó, implorando para que eles o libertassem, pois não havia causado nenhum dano a ninguém e disse:
- "Sim, isso é o que o papiro diz. Agora, posso ir embora em paz, poderoso Faraó?"
Mas Se-Osiris curvou-se perante o Faraó e disse,
- "Não o deixe ir. Ele não poderá ir em paz, pois é ele o mágico da história e ele vagou por muitos anos para tentar achar o ponto fraco de magia egípcia, para que ele possa, assim, vingar-se do Faraó. Vamos resolver isso hoje para que ele não tenha mais que vagar e trazer problemas."
O homem do Sul contorceu-se quando ouviu o desafio de menino e disse:
- "Quem é você para desafiar o maior mágico do Sul?", atirando o papiro ao chão.
O Papiro desenrolou-se e transformou-se em uma grande cobra, que assobiou e cuspiu em Se-Osiris. Mas Se-Osiris apenas riu e com um sinal com as mãos fez a cobra transformar-se em um pequeno verme que fugiu rastejando.
O homem do Sul gritou enfurecido e invocou uma nuvem escura que desceu sobre o salão. Se-Osiris começou a rir da situação, enquanto suas vestes pareciam absorver a escuridão, até que Se-Osiris sacudiu seu manto e deixou cair ao chão um pó negro. Ao terminar, Se-Osiris ficou em pé no salão cristalino e calmamente olhou para o homem do Sul.
Mais uma vez o homem do Sul reuniu suas forças mágicas e fez surgir diante de si uma coluna de fogo que ameaçadoramente se deslocou em direção ao Faraó.
Se-Osiris se postou em frente das chamas e com os braços empurrou-as para trás. A coluna de fogo parou e começou a voltar em direção ao homem do Sul.
Se-Osiris bateu palmas e gritou:
"Chega, pare agora!."
As labaredas cercaram o homem do Sul e ele no mesmo momento transformou-se em um monte de cinzas. Se-Osiris, virou-se para o pai e para o Faraó e disse:
- "Ele não trará mais problemas para Egito novamente, pois provei que a mágica do Egito é ainda mais forte que a do Sul."
O grande faraó Ramsés respondeu:
- "E você, Se-Osiris é o maior Mágico do Egito". ''


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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 19/2/2017, 02:28

O Príncipe e o Mago:

''Era uma vez um jovem príncipe, que acreditava em tudo, exceto em três coisas. Não acreditava em princesas, não acreditava em ilhas, não acreditava em Deus. Seu pai, o rei, disse-lhe que tais coisas não existiam. Como não havia princesas ou ilhas nos domínios de seu pai, e nenhum sinal de Deus, o príncipe acreditou no pai.
Um dia, porém, o príncipe fugiu do palácio e dirigiu-se ao país vizinho. Lá, para seu espanto, viu ilhas por toda a costa, e nessas ilhas viu criaturas estranhas e perturbadoras, às quais não se atreveu a dar nome. Quando estava procurando um barco, um homem vestido de noite dele se aproximou na beira da praia.
- Estas ilhas são de verdade? – perguntou o jovem príncipe.
- Claro que são ilhas verdadeiras – disse o homem vestido de noite.
- E aquelas estranhas e perturbadoras criaturas?
- São todas autênticas e genuínas princesas.
- Então, também Deus deve existir! – bradou o príncipe.
- Eu sou Deus – replicou o homem vestido de noite, com uma reverência. O jovem príncipe retornou a casa tão depressa quanto pôde.
- Então, estais de volta – disse o pai, o rei.
- Vi ilhas, vi princesas, vi Deus – disse o príncipe num tom reprovador.
O rei não se abalou.
- Não existem ilhas de verdade, nem princesas de verdade, nem um Deus de verdade.
- Eu os vi!
- Diga-me como Deus estava vestido.
- Deus estava todo vestido de noite.
- As mangas de sua túnica estavam arregaçadas?
- O príncipe lembrou-se que estavam. O rei sorriu.
- Isso é o uniforme de um mago. Você foi enganado.
Com isso, o príncipe retornou ao pais vizinho e foi para a mesma praia, onde mais uma vez encontrou o homem todo vestido de noite.
- Meu pai, o rei, contou-me quem és – disse o príncipe indignado. – Tu me enganaste da última vez, mas não o farás novamente. Agora sei que estas não são ilhas de verdade, nem aquelas criaturas são princesas de verdade, porque tu és um mago.
O homem da praia sorriu.
- És tu que estás enganado, meu rapaz. No reino de teu pai existem muitas ilhas e muitas princesas. Mas tu estás sob o encanto de teu pai, logo não podes vê-las.
O príncipe, cabisbaixo, voltou para casa. Quando viu o pai, fitou-o nos olhos.
- Pai, é verdade que tu não és um rei de verdade, mas apenas um mago?
O rei sorriu e arregaçou as mangas.
- Sim, meu filho, sou apenas um mago.
- Então o homem da praia era Deus.
- O homem da outra praia era outro mago.
- Tenho de saber a verdade, a verdade além da magia.
- Não há verdade além da magia – disse o rei.
O príncipe ficou profundamente triste.
- Eu me matarei – disse ele.
O rei, pela magia, fez a morte aparecer. A morte ficou junto à porta e acenou para o príncipe. O príncipe estremeceu. Lembrou-se das ilhas belas mas irreais e das princesas belas mas irreais.
- Muito bem – disse ele – eu agüento com isto.
- Vê, meu filho – disse o rei –, tu, também, agora começas a ser um mago.''


Reproduzido do livro “A Estrutura da Magia – Um Livro sobre Linguagem e Terapia”, de Richard Bandler e John Grinder, extraído originalmente de “The Magus”, de John Fowles.
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 19/2/2017, 02:46

A Sonata do Diabo:

Giuseppe Tartini (1692 – 1770) compôs a sublime e famosa sonata ''O trinado do Diabo'' inspirado num sonho que teve.

“Uma noite sonhei que tinha feito um pacto com o diabo, o qual se dispôs a me obedecer, em troca de minha alma. Meu novo servo antecipava meus desejos e os satisfazia. Tive a ideia de entregar-lhe meu violino para ver se ele sabia tocá-lo. Qual não foi meu espanto ao ouvir uma Sonata tão bela e insuperável, executada com tanta arte. Senti-me extasiado, transportado, encantado; a respiração falhou-me e despertei. Tomando meu violino, tentei reproduzir os sons que ouvira, mas foi tudo em vão. Pus-me então a compor uma peça – Il Trillo del Diavolo – que, embora seja a melhor que jamais escrevi, é muito inferior à que ouvi no sonho”.



Última edição por Alquimista em 8/7/2017, 04:39, editado 2 vez(es)
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 21/2/2017, 01:13

O Farol de Bell Rock:



A 18 km da costa leste da Escócia, em meio a águas traiçoeiras do Mar do Norte, situa-se, majestoso, o imponente Farol de Bell Rock.
Diz a lenda que dois irmãos decidiram trilhar caminhos totalmente diferentes um do outro, pois um havia se tornado um fervoroso religioso enquanto o outro um ardiloso pirata, e o tanto que o primeiro era bom correspondia ao tanto que o segundo era mau. Eles formavam um contraste perfeito. Mas não viveram juntos. O bondoso irmão, que se tornou um abade, morava no mosteiro de Arbroath, que era uma pequena cidade na costa da Escócia, perto de Bell Rock, que na época se chamava Inchcape. Já o malvado pirata causava terror nas águas do mediterrâneo.
Como Inchcape ficava submerso a maior parte do dia, suas pedras pontiagudas foram responsáveis por ceifar milhares de vidas. Era um assassino quase que invisível. Mas o piedoso abade, sabendo do perigo que se escondia sob o Mar do Norte, decidiu fazer alguma coisa para ajudar os infelizes navegantes que tinham de passar por lá. Depois de muito pensar no assunto, ele teve a ideia de colocar junto com alguns monges um enorme sino de bronze suspenso sobre o rochedo, de modo que os ventos o fariam badalar, avisando os marinheiros sobre o perigo próximo.
E deu certo! É por isso que o rochedo passou a ser conhecido como Bell Rock, que significa ”Rocha do Sino”.
O irmão malvado, ao ficar ciente do sucesso do sino, ficou enciumado com a fama que o abade estava ganhando, pois graças a sua genialidade muitas vidas estavam sendo salvas. Mas ele achava que deveria ser mais famoso que o seu irmão.
Como ele teve que ir para a Escócia pra vender umas mercadorias, aproveitou a viagem pra arruinar a reputação do abade. Ele pegou um barco e junto com seis marujos de sua tripulação foi até Bell Rock para atirar o sino no fundo do mar.
Mas o pirata não sairia incólume. Ao terminar seus negócios na Escócia, ele decidiu ir embora com a tripulação. Quando já estavam em mar aberto, uma forte tempestade se abateu sobre eles, fazendo com que o pirata perdesse a orientação de seu navio. E foi aí que uma dessas ironias do destino aconteceu. O navio do malévolo pirata foi totalmente destruído por Bell Rock, pois não havia mais um sino ali para alertá-los. Todavia, o único homem que teve a sorte de sobreviver à tragédia, relatou que enquanto o pirata era engolido pelo mar, badaladas de um sino começaram a soar pelo sinistro rochedo.
Até hoje os marinheiros adoram contar essa estória, assim como também falam que quando se aproxima uma forte tempestade, sons de sino começam a soar nas proximidades de Bell Rock.

Lendas à parte, o fato é que o temível rochedo continuou causando terror até que… um grande homem chamado Robert Stevenson decidiu vencer de uma vez por todas o recife assassino.
Na primeira década do século XIX, 70 navios naufragaram numa única tempestade, fazendo com que as autoridades aprovassem os planos do engenheiro Robert Stevenson, juntamente com o apoio de John Rennie (outro célebre engenheiro), para a construção do que é hoje o mais antigo farol em mar aberto do mundo.
Mas no começo ninguém acreditou em Stevenson e na construção do farol. O sonho de Stevenson foi chamado de loucura! Diziam que era impossível construir em pedras que ficavam expostas apenas algumas horas do dia, e isso quando o tempo estava bom! Felizmente, ele não desistiu e graças a isso triunfou no final. O que ele fez sempre deverá ser lembrado! Ninguém nunca mais morreu naquelas águas.



PS: Um descendente famoso de Robert Stevenson é o grande autor de O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll e Mr. Hyde), Robert Louis Stevenson.
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 21/2/2017, 01:28

Os Cavaleiros Fantasmas:

Essa lenda é sobre a vitória dos cruzados, em 1098, na cidade de Antioquia, sobre a qual se dizia que o padre Pedro Bartolomeu, por intermédio de uma visão de Santo André, descobriu a localização da verdadeira lança sagrada que transpassou o corpo de Jesus Cristo na cruz, o que levou os cruzados a recuperarem a autoconfiança que até então estava abalada, pois naquele momento os turcos sitiavam Antioquia e a derrota parecia ser iminente.

Todavia, segundo a lenda, os cruzados tiveram a ajuda do ''sobrenatural'' através de um exército de cavaleiros fantasmas, onde vários cavaleiros brancos, montados em cavalos brancos, seguravam cada um uma bandeira branca. Na verdade, segundo o que relataram algumas testemunhas que participaram desta batalha, tal exército eram espíritos enviados por deus para ajudar os cruzados.


Última edição por Alquimista em 10/4/2017, 07:07, editado 1 vez(es)
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 21/2/2017, 02:02

O Xadrez e o Diabo:

Como o Diabo foi apanhado, de Charles Godfrey Gumpel, publicado em 1876.

O conto é sobre uma empolgante partida entre um exímio jogador de xadrez e o diabo, sendo que o último jogava com as peças negras. No ápice do jogo, depois de disputados e suados lances, o tabuleiro ficou do seguinte modo:



Exatamente neste momento o diabo foi advertido pelo adversário de que levaria xeque-mate em apenas sete lances.
O diabo, é claro, não concordou. Então a partida prosseguiu com os seguintes lances...

























E assim que o sétimo lance finalizou-se, o diabo ficou desesperado e, com um grito pavoroso, sumiu!!!!

Sabem por quê?

Porque o mate formava o sinal de uma cruz!




Dizem alguns que o jogador que venceu o diabo era Paolo Boi, que foi o maior jogador de xadrez da Renascença, que venceu até o Papa!

Charles Godfrey Gumpel, o mesmo que criou a famosa lenda do Sinal da Cruz, também foi o inventor de um robô chamado Mephisto, que foi um autômato do século XIX que supostamente jogava xadrez com qualquer ser humano, mas na verdade era operado pelo mestre Isidor Gunsberg, o qual ficava numa sala contígua com um controle remoto eletromecânico. Foi uma excelente invenção! Isidor Gunsberg, o operador do Mephisto, se recusava a ganhar das mulheres no xadrez.
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 21/2/2017, 02:22

Inês de Castro:

Sendo um dos lugares mais importantes e famosos de Coimbra, a Fonte das lágrimas foi o cenário de um amor proibido no século XIV.
O infante Dom Pedro, futuro rei de Portugal, havia se casado com a princesa castelhana Constança, mas na verdade ele estava perdidamente apaixonado pela aia dela, a dama galega Inês de Castro, o que preocupou deveras a realeza portuguesa porque Inês era a filha de um dos homens mais poderosos da Espanha. Após o falecimento de Dona Constança ao dar a luz ao futuro Fernando I, a paixão avassaladora entre os dois ficou bem mais explícita, levando o pai de Pedro, o então rei Afonso IV, a temer uma influência maléfica da família de Inês no futuro do reinado. Isso fez com que os dois amantes começassem a se encontrar secretamente no lugar que ficou conhecido como Quinta das Lágrimas, especialmente após as inúmeras perseguições que passaram a sofrer.
Diz a lenda que o infante punha cartas de amor em barquinhos de madeira que eram então levados pelas águas da Fonte dos amores, que também se situa na quinta, até chegarem às delicadas mãos de Inês. Mas essas juras de amor não iriam durar muito tempo. O rei Afonso IV concluiu que a única maneira de por um fim nesse relacionamento e salvar o seu reino seria assassinar Inês de Castro. Aproveitando então uma ausência de Pedro, o rei enviou sigilosamente três assassinos para abordá-la na quinta. Dizem que ela estava descansando tranquilamente quando foi abordada e depois covardemente esfaqueada pelos algozes do rei. Suas lágrimas, segundo a lenda, se transformaram na fonte que Camões iria consagrar como Fonte das lágrimas, e o seu sangue derramado ficou gravado nas rochas, o que gerou a coloração avermelhada das águas daquela fonte desde então.
Pedro, ao ficar sabendo do ato cruel, jurou vingar sem piedade o assassinato da amada, o que aconteceu quando ele subiu ao trono como o oitavo rei de Portugal, em 1357.
Primeiro ele ordenou a execução dos dois assassinos que foram capturados, ordenando que seus corações fossem arrancados, num pelo peito e no outro pelas costas. A seguir, ele chocou a todos ao revelar que havia se casado com Inês secretamente em Cantanhede, um pouco antes da morte dela, e mandou que dois magníficos túmulos fossem construídos no mosteiro de Alcobaça. Depois fez com que desenterrassem o corpo de sua amada e o transladasse para Alcobaça, sendo que toda a nobreza fora obrigada a acompanhar o cortejo fúnebre até o mosteiro e, uma vez lá, sob pena de morte, todos tiveram que beijar a mão de Inês que agora fora, mesmo depois de morta, coroada como Rainha de Portugal.
Por fim, o rei Pedro I a sepultou num dos túmulos, sendo que o outro serviria para abrigar os seus restos mortais quando morresse. Esses túmulos, que são considerados uma verdadeira obra-prima do estilo gótico, estão posicionados em cada lado do transepto do mosteiro, um de frente ao outro, para que no dia do juízo final os dois amantes tivessem a chance de se olharem mais uma vez. Casais apaixonados do mundo todo até hoje costumam visitar esses gloriosos monumentos, muitos para fazerem propostas de casamento, outros pra homenagear essa incrível história de amor que superou até a morte.
Hoje a fonte está laureada por um exuberante jardim que contém espécimes raros e exóticos do mundo inteiro, incluindo duas enormes sequóias de duzentos anos de idade conhecidas como Sequóias Wellington.
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 21/2/2017, 03:53

O Alquimista Konrad Dippel e o Burg Frankenstein

Darmstadt, a cidade das ciências, é uma das cidades mais importantes do mundo em estudos científicos e desenvolvimento tecnológico. Nela se encontra uma das mais renomadas universidades da Alemanha, a Universidade Técnica de Darmstadt, com seus famosos departamentos de engenharia e também o Centro de Operações Espaciais Europeu, ou ESOC, da Agência Espacial Européia. Sua fama de cidade científica é tão grande, que talvez não seja a toa que ali surgiu um personagem que entrou para a história como o verdadeiro estereótipo do cientista, pelo menos no imaginário popular.
Além disso, Darmstadt está localizada numa região de mesmo nome que é famosa pelo cenário deslumbrante, mágico, com florestas enigmáticas e inspiradoras, cheia de lendas e histórias fantásticas que atrai todo ano inúmeros turistas, pesquisadores, historiadores, estudantes e escritores. E é nesse lugar encantador que se encontra um antigo e sombrio castelo cujo nome é sinônimo de horror para muitas pessoas. O Castelo Frankenstein...

Há quase 200 anos, a escritora Mary Shelley, que era uma adolescente na época, recebeu uma carta de um dos irmãos Grimm, Jacob, na qual narrava uma história sinistra ocorrida no castelo, o que atiçou a curiosidade de Mary ao ponto dela e seu futuro marido, o poeta Percy Shelley, fazerem uma viajem pelo Reno em 1814 a fim de conhecerem melhor o cenário daquele macabro relato. Dois anos depois, eles foram convidados para passar o verão na Villa Diodoti, que era uma propriedade de Lord Byron situada nas margens do lago Gêneva, na Suíça. Lá também se encontrava o poeta e médico de Byron, o doutor John Polidori, que teve uma importância enorme na criação de outro mito tão famoso quanto o de Frankenstein.
Todavia, o verão de 1816 foi dos mais sombrios da história por causa da erupção do vulcão Tambora da Indonésia, que expeliu toneladas de poeira na atmosfera bloqueando a luz solar durante alguns dias, o que causou uma drástica alteração climática trazendo frio, tempestades e nuvens negras por toda a Europa durante vários meses. E numa noite de fortes tormentas na qual todos tiveram que ficar confinados dentro da Villa Diodoti, Lord Byron resolveu propor que cada um ali criasse uma história de fantasmas, ideia essa que foi acatada com sucesso por todos ali presentes. Primeiro, ele fez um conto chamado O Enterro, que não ficou tão bom, porém serviu de material para Polidori escrever a obra que anos depois causaria forte impacto, O Vampiro.
Percy também criou uma não muito boa e Mary ficou sem inspiração durante alguns dias, até que numa noite tempestuosa, ela, meio sonolenta, teve uma visão que foi a inspiração que lhe faltava. A visão era a de um aprendiz de artes secretas contemplando uma criatura que acabara de criar.
Isso a deixou tão impressionada, que algum tempo depois, com apenas 19 anos de idade, ela já havia concluído sua história que de longe foi a melhor daquela sessão de contos de horror. Porém, a verdade sobre o que de fato inspirou a escritora pode ser bem diferente.

Mary conhecia e foi influenciada pelos experimentos bio-elétricos feitos por Luigi Galvani, Giovanni Aldini e Andrew Ure, que assombraram a Europa ''reanimando'' cadáveres através da eletricidade, mas a sua verdadeira inspiração foi a carta que ela recebeu de Jacob Grimm, que falava de um brilhante e controverso alquimista que viveu no Castelo Frankenstein durante o século XVIII, o ilustre Konrad Dippel.
Segundo a lenda, Dippel nasceu nos calabouços do castelo e era considerado pelos aldeões como a própria encarnação do diabo. Mas quando cresceu, ele estudou teologia e medicina e como todo bom livre-pensador da época, também se interessou pela Alquimia ao ponto desta se tornar mais tarde sua principal obsessão, o que o levou a ansiar por desvendar os segredos da transmutação de metais comuns em ouro, fabricar a panacéia capaz de curar todos os males, criar um elixir que prolongasse sua vida até os 135 anos e, principalmente, descobrir os segredos da vida. Em relação a este último item, dizem, tamanha era a sua vontade, que ele criou o seu próprio ser humano num tubo de ensaio, o homúnculo, como Paracelso e outros alquimistas supostamente também haviam feito. Além disso, ele criou um composto que foi usado durante muito tempo na Europa, o Óleo de Dippel, e descobriu o pigmento azul-da-prússia e o ácido cianídrico. Mas o fato na carta que mais chamou a atenção de Mary foi o relato de que ele roubava cadáveres nas sepulturas para fazer experimentos macabros em seu laboratório.

Dizem que ele saía do castelo durante a noite com a intenção de exumar os restos mortais de membros da família Frankenstein que estavam sepultados na Capela de Nieder-Beerbach e depois os levava em seu laboratório para fazer experiências. Ele almejava descobrir uma maneira de reanimá-los e, assim, desvendar o segredo da vida. Todavia, Jacob Grimm deixou claro na carta que todas essas estórias de roubos de cadáveres, ligações com o diabo e outras mais, foi tudo invenção dos clérigos locais, que não podiam tolerar um livre-pensador tão genial vivendo por ali. E o pior, Dippel começou sua carreira como padre. Naquela época, a Igreja não via com bons olhos os filósofos naturais que se interessavam por medicina e ocultismo. Essa instituição considerava que tais conhecimentos estavam relacionados com o diabo. O que diriam então de um ex-padre que se tornara um alquimista?!!! Mas outro fato que também ajudou a difamar a imagem de Dippel foi sua disputa com alguns membros da família Frankenstein pela posse do castelo, já que ele era fascinado pela história dessa família que, aliás, teve ilustres antepassados, como um guerreiro que batalhou com Vlad, o empalador (o lendário Conde Drácula).
Dizem que Dippel até assinava alguns documentos com o sobrenome Von Frankenstein.

E foi assim que Konrad Dippel acabou servindo de modelo para que Mary Shelley criasse o seu cientista. Ele é que foi o verdadeiro Victor Frankenstein.
Victor, assim como Dippel, gostava de fazer experiências com cadáveres humanos e também almejava descobrir os segredos da vida através de sua criação no laboratório.
Mas no final das contas, o que a grande história de Mary popularmente virou? O que virou foi o mito do terrível monstro com parafusos no pescoço, chamado erroneamente de Frankenstein, e do estereótipo do cientista como um homem louco e obcecado que se trancafia em seu laboratório pra brincar de deus.
Só para se ter uma ideia, no livro, a criatura de Mary Shelley é bem ágil e articulada e não apresenta nenhum daqueles movimentos desengonçados imortalizados no cinema por Boris Karloff.
E quanto ao moral da história? O Doutor Victor, mesmo conseguindo criar a vida, não é punido no final pela sua criação que destrói todos que ele ama?
Sim! Na verdade, Mary quis fazer uma advertência sobre as terríveis consequências que descobertas científicas poderiam ter se fossem levadas ao extremo do poder e da ambição. Não é a toa que o livro Frankenstein foi nomeado por ela como O Moderno Prometeu. Como vocês devem saber, o Titã Prometeu foi condenado após roubar o fogo dos deuses para dá-lo aos homens.

Uma última curiosidade, é que na mesma noite em que Byron propôs a sessão de contos de horror também nasceu outro mito que chega a ser tão importante, ou talvez até mais, que o de Frankenstein, que é o Vampiro como nós o conhecemos. Como falei anteriormente, John Polidori escreveu uma obra chamada O Vampiro. Mas, apesar dessa obra não ter ficado tão famosa como a de Mary, ela é muito importante porque foi a primeira vez que surgiu a figura do vampiro aristocrático, que é um tipo de anti-herói gótico bastante refinado. Ou seja, a verdadeira concepção do vampiro moderno.
Quer dizer então que antes da obra de Polidori ainda não existiam vampiros como o Conde Drácula?
Não, ainda não existia aquele vampiro sedutor, que usava uma linda capa, falava como um cavalheiro e morava num belo castelo. E foi esse ser aristocrático, que na obra de Polidori se chamava Lord Ruthven, que anos mais tarde influenciaria um irlandês chamado Bram Stocker, o escritor de Drácula!

Enfim, é assombroso como uma única noite ter sido a gênese de dois dos maiores mitos de horror modernos!
E ainda tem mais! Os dois mitos estão entrelaçados até na vida real. Como disse anteriormente, um Frankenstein que morou no castelo travou uma batalha com o verdadeiro Conde Drácula, o implacável guerreiro Vlad Tepes Draculea, Príncipe da Valáquia, que o escritor Bram Stocker se baseou para criar seu romance.
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 21/2/2017, 18:09

O Golem

A lenda do Golem foi brilhantemente retratada no filme Der Golem, de Carl Boese e Paul Wegener, de 1920, que é uma das maiores realizações da cinematografia do expressionismo alemão.

Mas do que se trata a lenda?

Era sobre o rabino de Praga, Judah Loew, que no século XVI, sentindo que o gueto judaico instalado nessa cidade sofria constantes ameaças e ataques anti-semitas, resolveu dar vida a uma criatura feita de barro através de rituais cabalísticos, o Golem.
Por um tempo a magia deu certo. O Golem, que seguia as ordens do rabino como um autômato, trouxe proteção e respeito ao gueto. Mas como na história de Mary Shelley, aos poucos a criatura foi se desenvolvendo e se igualando aos humanos ao ponto dela se apaixonar pela filha do próprio Loew. O resultado disso tudo, foi que ela acabou trazendo desgraça e medo para a comunidade judaica que antes protegia. No final, a criatura é destruída pelo seu próprio criador.
Como podem ver, o relato é bastante similar ao de Frankenstein!

E o que aconteceu depois que a criatura foi destruída?

Segundo a lenda, o rabino Loew escondeu o corpo no sótão da Sinagoga de Praga.
De acordo com alguns rabinos, que juram de pés juntos que esse fato é verídico, o seu corpo de argila ainda se encontra lá até hoje. Porém, como ninguém consegue ter acesso ao sótão, o relato nunca pôde ser ratificado.

A sinagoga é uma construção gótica, muito antiga. Na verdade, ela é a sinagoga mais antiga de Praga, e o seu nome real é Sinagoga Antiga-Nova, ou Altneuschul.

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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 25/2/2017, 04:35

A Papisa Joana

A Papisa Joana foi a mulher que secretamente conseguiu assumir o posto de “Vigário de Cristo”?

Essa lenda se refere à uma mulher que, secretamente, foi eleita Papa na Idade Média.
Mas seria mesmo uma lenda?!
Existem algumas provas substanciais de que ela realmente existiu. Contudo, a Igreja Católica nega veementemente que uma mulher uma vez tenha ocupado o trono de São Pedro porque julga tal relato escandaloso demais, principalmente num meio que é sobremaneira machista.

Tudo aconteceu no século IX, nos idos de 850. Dizem que Joana era filha de um padre inglês, pois, naquela época, ainda não havia o Celibato, e que desde a mais tenra idade ela já demonstrava uma inteligência e capacidade intelectual fora do normal, o que sugeria que ela poderia ter um futuro brilhante caso decidisse seguir a vida sacerdotal, como os pais. Mas, para que isso se concretizasse, ela necessitava de um disfarce se quisesse ser ordenada como sacerdote. Foi então que ela adotou a identidade masculina e mudou seu nome para João.
O fato dela ter se apaixonado por um monge também a ajudou nessa dura decisão, uma vez que os dois poderiam viver tranquilamente sem atrair algum tipo de escândalo. Com o tempo, ''João'' cada vez mais foi adquirindo erudição ao ponto de, quando foi residir em Roma, se tornar um dos professores mais ilustres, senão o maior, que havia na ''Cidade Eterna''. Diziam que seus discursos eram brilhantes, eloquentes, e, tamanha foi sua fama como erudito, que ela começou a ser chamada de “O Príncipe dos Sábios”. Tudo isso acarretou em sua rápida ascensão na Cúria Romana, atingindo assim o posto de Cardeal. Nessa altura, a fama dela era tão grande que, após a morte do então Papa Leão IV, ninguém teve dúvidas em relação à qual seria o novo sucessor de São Pedro. Unanimemente, Cardeais, Bispos e o povo que a amava a elegeram Papa, e ela escolheu para esta função o nome de João VIII, sem que ninguém suspeitasse de que ''ele'' era uma mulher.
Certamente os trajes folgados dos sacerdotes ajudaram a escamotear o seu sexo, uma vez que são trajes assexuados. Contudo, só tem uma coisa que seria impossível para Joana escamotear, a incrível capacidade feminina de gerar a vida, uma vez que ele engravidou!
Todavia, ninguém sabe quem foi seu amante. Mesmo assim, apesar de estar grávida, as vestes folgadas ajudaram a ocultar a gravidez até que, na procissão do Dia das Rogações, em 857, depois que o cortejo saiu da Basílica de São Pedro para se dirigir à Basílica de São João de Latrão, próximo à viela entre o Coliseu e a Igreja de São Clemente, o Papa João VIII, subitamente, cai de seu cavalo e, aos berros, começa a se contorcer no chão, para o espanto da multidão, que pensou que o Papa estava possuído pelo diabo. Mas, ao retirarem suas vestes devido ao sangramento que começara a escorrer pelas pernas, eis que, de repente, toda a multidão silencia ao ver que, o Papa, na verdade era uma mulher e, o pior, uma mulher em pleno trabalho de parto. Foi então que aquele silêncio sepulcral havia dado lugar a um som agudo e agonizante, o choro de uma criança que acabara de nascer, aos olhos de toda Roma!
E como os romanos reagiram? Aí entra em cena a falha e a ignorância dos homens. A turba, nervosa, se sentindo traída e enganada por uma pessoa que antes idolatravam, a amarrou no cavalo e a arrastaram pela cidade e, por fim, a apedrejaram até a morte. Então a sepultaram na rua onde ela deu a luz, rua essa que foi rebatizada depois como Rua da Papisa. Quanto a seu filho, alguns dizem que ele foi morto pelos clérigos, outros dizem que foi poupado e mais tarde se tornara um Bispo.
Moral da história (ou estória?!): que sirva para nos ensinar até que ponto pode chegar a brutalidade dos homens em relação a questões raciais, sexuais e religiosas, ainda mais quando se constata que Joana, como João VIII, foi um Papa brilhante, sem igual naquela época! Inteligentíssima e justa, foi um exemplo a ser seguido pelo Vaticano. É uma pena que a Igreja ainda continue insistindo em negar seu legado pela simples vergonha de admitir que uma pessoa do sexo feminino teria atingido o seu posto mais alto, o Sumo Pontificado.
Contudo, felizmente existem provas que o Vaticano não pode ocultar. Na Catedral de Siena do século XV, que tinha o busto de mármore de todos os papas até Pio II, havia o da Papisa Joana que continha a seguinte inscrição:

“João VIII, Papa mulher”

Mas não tardou para que o Papa Clemente VIII apagasse a inscrição e a substitui-se por “Papa Zacarias”.
Também há o relato da famosa cadeira perfurada, a Sella Stercoraria, que foi instaurada após o reinado de Joana a fim de se verificar o sexo dos próximos papas eleitos. Consistia de uma cadeira de pórfiro furada em seu acento, onde o Papa eleito deveria se sentar. Concomitantemente, alguns cardeais se agachavam e tateavam o novo Papa a fim de constatar se nele haviam testículos. Se tivesse, é claro, orgulhosamente o Cardeal bradava para os demais: ''Temos um Papa''!
Houve muitos que testemunharam este estranho ritual. E pouca gente sabe que foi esse hábito de apalpar “as bolas” do Papa que deu origem a tradição de se falar “Habemus Papam” pelo cardeal protodiácono antes da entronização do Sumo Pontífice.



Também há o decreto papal que proibiu as futuras procissões na viela onde Joana dera a luz. O problema é que tal viela era um bom atalho entre a Basílica de São Pedro e a Basílica de São João de Latrão. Mas, para evitar constrangimentos e lembranças da Papisa, o cortejo papal preferiu adotar um percurso menos econômico. Assim, nunca mais ocorreu outra procissão por ali. Entretanto, o mais importante é a estátua que foi construída após a morte de Joana, na Rua da Papisa, em frente à Igreja de São Clemente. Era a estátua dela com o filho recém-nascido em seu colo. E o próprio Martinho Lutero admitiu tê-la visto uma vez.
Sendo assim, seria esse um indício de que a ''Lenda da Papisa Joana'' fora na verdade uma invenção esquematizada por conspiracionistas protestantes, sendo que a própria ICAR é quem sustenta tal acusação?!


Última edição por Alquimista em 10/4/2017, 07:08, editado 1 vez(es)
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 8/3/2017, 01:16

A Ponte do Diabo

Bobbio é uma cidadezinha medieval que fica no norte da Itália, próxima à província de Piacenza, onde corre o rio Trebbia, cujo vale Ernest Hemingway descreveu como ''o mais belo do mundo''!

Ali se localizam alguns pontos turísticos famosos, como a Abadia de Bobbio, ou Abadia de São Columbano, cuja majestosa biblioteca no medievo foi a verdadeira inspiração para a abadia de Umberto Eco em seu monumental romance O Nome da Rosa.



Mas Bobbio também é conhecida pela lenda da construção da Ponto Gobbo (Ponte Corcunda), ou, como os locais a chamam, a Ponte do Diabo.



Diz a lenda que São Columbano fez um pacto com o diabo porque enfrentava dificuldades para construir a ponte. O diabo, então, se prontificou para completar o serviço, mas somente se o monge oferecesse a ele a alma da primeira criatura que passasse por ali. Feito o maligno trato e uma vez concluída a ponte, o astuto São Columbano fez com que um cachorro fosse a primeira criatura a atravessá-la, o que deixou o diabo enfurecido por ter sido enganado e vencido.
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por MachadoDeAssis em 21/3/2017, 12:24

Muito interessantes mesmo, posta mais.

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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 21/3/2017, 14:50

Opa, pode deixar!
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 22/3/2017, 17:56

Conde Drácula, por trás da lenda



Já vimos que o nascimento do mito moderno do vampiro se deu naquela noite que Lord Byron propôs os contos de terror. Como falei anteriormente, John Polidori escreveu uma obra chamada O Vampiro. Apesar dessa obra não ter ficado tão famosa como a de Mary, por que é que ela foi muito importante? Porque foi a primeira vez que surgiu a figura do vampiro aristocrático, um tipo de anti-herói gótico e bastante refinado, a verdadeira concepção do vampiro como o conhecemos. Sim, antes de Polidori ainda não existia aquele vampiro sedutor, que usava uma linda capa, falava como um cavalheiro e morava num belo castelo. E foi esse vampiro aristocrático, que na obra de Polidori se chamava Lord Ruthven, que anos mais tarde influenciaria um certo irlandês chamado Bram Stocker.

Stocker, seduzido por Lord Ruthven, decidiu criar sua própria lenda vampiresca, mas, para isto, tal como Mary e Percy Shelley, escolheu um velho castelo para servir de inspiração para a trama. E este agora seria um que fica nos gélidos e exóticos Montes Cárpatos da Romênia, num lugar chamado Transilvânia. Stocker sabia que ali havia vivido um grande guerreiro. Também sabia que este guerreiro seria um prato cheio para seu lendário personagem, Drácula. O nome dele era Vlad Tepes, o príncipe da Valáquia, outrora conhecido como Vlad, o empalador.

Vlad foi uma figura decisiva e de grande destaque na história da Romênia do século XV. Ascendendo ao trono da Valáquia por diversas vezes, ele fez de tudo para unificar o país e torná-lo livre das ameaças que estavam por toda a parte. Primeiro, ele liquidou os senhores feudais da Valáquia, os Boiardos, convidando todos eles para um banquete no domingo da Páscoa, talvez em 1459, no seu palácio em Tirgoviste, e lhes perguntou quantos líderes eles tiveram num período de 50 anos. Eles não souberam responder, pois foram muitos e era isso o que Vlad queria ouvir. Ele queria provar que os Boiardos não passavam de traidores sovinas que apoiavam seus líderes apenas o quanto lhes convinham, para depois destroná-los. Ou seja, viviam mudando de lado. Vlad, então, chamou seus guardas e ordenou que todos fossem presos. Depois, mandou empalar a maioria. A empalação era uma forma cruel de execução em que o corpo da vítima era atravessado por uma pontiaguda e longa estaca que depois era fixada no chão. Mas isso era para os mais sortudos, pois quando ele queria dar o exemplo, mandava por graxa no lado da estaca que não tinha ponta para em seguida inseri-la no ânus da vítima. Daí, a lança ia lentamente penetrando as entranhas dos infelizes, o que poderia levar dias. Pobres coitados, na verdadeira acepção da palavra.
E o que Vlad fez com os que não foram empalados? Para estes, o destino também não foi dos melhores. O príncipe ordenou que todos caminhassem de Tirgoviste, que era a sua capital, até a fronteira da Valáquia, e os forçaram a construir o Castelo Poenari, o verdadeiro Castelo Drácula (e não o de Bran, como muitos pensam). Imaginem a distância que eles percorreram a pé! E, o pior, é que o castelo ficava em cima de uma montanha bem alta. Dizem que eles trabalharam tanto, que suas roupas caíram de seus corpos. Tiveram que terminar o serviço totalmente nus, em meio a toda aquela neve. Crueldade? Talvez, mas Vlad sabia que era o único jeito de eliminar os Boiardos.
Depois foi a vez dos Saxões, uma rica classe de comerciantes germânicos que há muito dominava as cidades da Transilvânia. E, por fim, lutou contra os Turcos Otomanos. Foram estes que deram o famoso apelido de Vlad, “o rei empalador”, após presenciarem uma cena que os torturariam tanto, que o sultão decidiu voltar para casa: uma verdadeira floresta de empalados, 20 mil pessoas no total! Todavia, o sultão retornou e no final acabou derrotando Vlad, que morreu em 1476. Quanto ao epíteto Drácula, Vlad realmente foi chamado assim. O seu pai, Vlad Dracul, era um cavaleiro da Ordem do Dragão, uma ordem cristã. Na Romênia, Dracul quer dizer dragão. O sufixo ''ae'' indica um filho. Portanto, Draculea, ou Drácula, quer dizer “filho do dragão”. Coincidentemente, esta palavra também pode ser traduzida como “filho do demônio” na língua romena, pois Dracul, igualmente, significa demônio.
Há várias histórias terríveis sobre Drácula. A de que uma vez ele mandou pregar os turbantes nas cabeças de alguns emissários turcos porque estes se recusaram a tirá-los na sua presença. Ou que possuía uma coleção de 24 mil narizes de inimigos abatidos. Também a de que adorava almoçar no meio da floresta de empalados a fim de saborear melhor sua comida enquanto observava pacientemente as estacas penetrarem nos corpos. Foi daí que surgiu a lenda de que Drácula molhava o pão numa taça com o sangue dos infelizes e depois a bebia, como se fosse vinho. Talvez isso não passasse de boatos maldosos para sujar sua reputação. De fato, cartunistas saxões espalharam muitos panfletos que mostravam tais horripilantes cenas, e a intenção era uma só: associar Drácula ao mal. Imaginem a sensação de Stocker ao ver esses panfletos. Mas, malgrado toda sua crueldade, Vlad Drácula é considerado um herói nacional na Romênia. Lutou ao lado dos cristãos contra os Turcos Otomanos e o povo o adorava. Também foi um grande estrategista, tanto militar quanto civil. Porém, não se pode negar que ele foi uma ótima fonte de inspiração. Só que a lenda do Conde Drácula em nada é fiel ao verdadeiro príncipe e guerreiro do século XV, já que contém traços vitorianos e todos aqueles elementos que Polidori já havia posto em Lord Ruthven. Além disso, Bram utilizou fontes do folclore da Romênia relacionados a espíritos malignos para mostrar as fraquezas de seu vampiro. Por exemplo, Drácula não podia ver a luz do sol, não podia refletir a sua imagem no espelho, tinha aversão ao alho e à cruz, etc. Bram pesquisou bastante, pouca coisa foi produto de sua imaginação! E fez um ótimo romance, que perdura até hoje! Nele, assim como em Frankenstein, também encontramos as desastrosas consequências daqueles que querem poder em demasia. Drácula era imortal, mas o preço foi não poder mais ver a luz do sol, ou seja, ele não podia mais desfrutar da ideia do bem. A estaca, que ele tanto usara para punir seus inimigos, agora era a sua Kryptonita, a única coisa que seria capaz de matá-lo. Sua maldição foi querer ter poderes  sobre-humanos, e ele pagou caro por tê-los. E quem ele mordia também perdia a alma. É a velha história do Doutor Fausto e Mefistófeles: juventude eterna, riqueza e poder sem limites, e o preço é a alma!  
Onde Drácula (o verdadeiro) foi enterrado?
Dizem que num mosteiro em Snagov, perto de Bucareste. Mas o túmulo está vazio. Nunca encontraram o seu corpo.  

Enfim, é incrível que a ficção pode superar tanto a realidade que, às vezes, ela se torna mais real que os próprios fatos. É bastante fácil alterar a identidade de uma pessoa completamente. Contudo, convenhamos, os personagens históricos por detrás destas lendas não são ainda mais interessantes? Então, por que é que os mitos nos fascinam tanto? Por que são os mesmos que perduram e não o contrário? Serão os mitos e as lendas partes recônditas de nossa personalidade? Nossa psique? Do intrincado quebra-cabeça que é a psicologia humana? Por que nos identificamos tanto com isso? Será que representam nosso desejo oculto de nos tornarmos imortais, poderosos, de sermos deuses? Ou, não seria fruto do medo e fraqueza em encararmos a morte o que nos fariam criar estes maravilhosos contos e inesquecíveis personagens? Que nos fazem compartilhar de suas tristezas, ambições e frustrações? Talvez possamos responder isso ao nos deparamos com a única coisa que nos traz de volta à realidade, a de que a morte é inevitável!
É ela que nos mostra o que ( e quem) realmente somos!
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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 25/4/2017, 18:43

A Mão de Fogo

Nos bastidores do filme 007: Permissão para Matar (License to Kill), fatos estranhos aconteceram.
Numa das cenas finais, na perseguição dos caminhões, decidiram rodar a mesma numa estrada mexicana chamada La Rumorosa, que já tinha fama de ser amaldiçoada, segundo os locais. Malgrado alguns acidentes inexplicáveis que começaram a acontecer durante as filmagens, prosseguiram com as tomadas.
Foi então que surgiu a lenda da famosa MÃO DE FOGO, captada em fotografia no decurso das filmagens.
E o mais macabro é que, segundo a lenda, isso aconteceu no local exato de La Rumorosa em que teria ocorrido um acidente fatal com um ônibus que transportava um grupo de FREIRAS. Segundo dizem, o veículo teria caído de um penhasco e em seguida explodiu! Todas as freiras morreram!!!

Vejam as imagens que foram captadas da lendária MÃO DE FOGO:



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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 9/6/2017, 03:37

Os OVNIs e as guerras

Segundo algumas lendas, ''discos voadores'' interferindo em guerras humanas não é uma invenção moderna.

Umas das mais famosas intervenções desse tipo foram as dos Foo Fighters no fim da Segunda Grande Guerra.

Mas e quanto ao passado?

O livro Deuses e Astronautas através da História de W. Raymond Drake está cheio dessas anedotas interessantes. Por exemplo:
_O que pairou no céu sobre a Batalha de Hastings no ano de 1066? Um UFO ou o Cometa Halley? Tal ''fenômeno'' foi capturado na Tapeçaria de Baieux:




_O ufólogo Frank Edwards, citando uma fonte que não foi revelada sobre a campanha de Alexandre Magno na Índia, diz o seguinte:

Alexandre, o Grande, não foi o primeiro a vê-los nem foi o primeiro a acha-los incômodos. Ele fala de duas naves que mergulhavam repetidamente sobre seu exército até que os elefantes de guerra, os homens e os cavalos entraram em pânico e se recusaram a atravessar o rio onde ocorreu o incidente. Que aspecto tinham essas coisas? Seu historiador descreve-as como grandes escudos de prata brilhante soltando fogo pelas bordas... coisa que vieram dos céus e aos céus retornaram.


Na Storia dio Alessandro il Grande citada por Alberto Fenoglio, diz o seguinte sobre o cerco de Tiro por Alexandre em 332 a.c.:

Um dia, de repente, apareceram sobre o campo macedônico escudos voadores, como eram chamados, que voavam em formação triangular comandados por um excessivamente grande, tendo os outros quase a metade do tamanho do primeiro. Ao todo eram cinco. O cronista desconhecido informa que eles circularam lentamente sobre Tiro, enquanto milhares de combatentes de ambos os lados paravam para contemplá-los estupefatos. De repente, do ''escudo'' maior saiu um relâmpago que atingiu as muralhas que se desfizeram. Seguiram-se outros relâmpagos e as muralhas e torres se dissolveram, como se fossem feitas de lama, deixando o caminho aberto para os sitiantes que se infiltraram como uma avalancha pelas brechas. Os ''escudos voadores'' ficaram pairando sobre a cidade até que ela foi completamente arrasada, e então desapareceram rapidamente, dissolvendo-se no azul do céu.

_Os tais ''escudos voadores'' foram novamente vistos em 776 d.c., quando dois escudos flamejantes surgiram nos céus abrindo fogo sobre o exército saxão que nesse instante sitiava os francos em Sigiburgo.

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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Gigaview em 13/6/2017, 00:50


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Re: Lendas interessantes!

Mensagem por Alquimista em 19/7/2017, 14:52


Damon e Pythias

Segundo a lenda romana, foram o exemplo perfeito de amizade.

Damão e Pítias, seguidores de Pitágoras, foram para a cidade de Siracusa, na Sicília, onde Pítias acabou sendo acusado de conspirar contra o tirano Dionísio I. Por causa disso, foi punido com a pena de morte.

Damão serviu como refém de Pítias, seu amigo condenado à morte e que desejava visitar sua família antes de morrer. Apesar de Dionísio acreditar que Pítias nunca mais retornaria, ele depois voltou para ser executado.

O tirano ficou tão impressionado com essa demonstração de lealdade, que acabou libertando os dois amigos, nomeando-os como seus conselheiros leais, inclusive.

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